<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466</id><updated>2011-06-07T23:32:11.971-07:00</updated><title type='text'>O Lapão na Hiléia</title><subtitle type='html'>Um sujeito que não sabe de nada dando palpite sobre tudo enquanto fala sempre das mesmas coisas.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Rogerio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14134650198677786749</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>34</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-112221498615916470</id><published>2005-07-24T07:12:00.000-07:00</published><updated>2005-07-24T07:23:06.176-07:00</updated><title type='text'>Outras hiléias</title><content type='html'>Amigos, cabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este blog chega, algo merencoriamente, a seu merencório fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sério, na boa. Felizinho.&lt;br /&gt;Acho que esta prestigiosa coluna começou em 2000. Não lembro direito. Mas o fato é que nesses anos, em três endereços diferentes, construímos todo um mundo de relações construtivas! E meus três leitores continuaram fiéis, apesar de mudanças no elenco&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;(nada mais soube da Renata e conto agora com LZ, o vingador mascarado).&lt;br /&gt;Recebi nesta semana um convite de um cara pra manter uma coluna em uma revista eletrônica (&lt;a href="http://www.cronópios.com.br"&gt;www.cronópios.com.br&lt;/a&gt;: se vocês são mais ligados que eu já devem conhecer, é coisa bem bonita, com uma lista de contribuidores tão séria que só se verá levemente deteriorada pela minha presença). Aí pedi pra ele se eu podia levar o lapão pra lá e, tudo resolvido, lá estarei.&lt;br /&gt;Não sei direito quando entra no ar o primeiro texto, pois eu mesmo me atrasei em mandar umas coisas que ele me pediu, mas acredito que em algum momento entre hoje e domingo que vem vocês já possam ir até lá, ficar pasmados com o dizáine, clicar em &lt;em&gt;colunistas&lt;/em&gt;, e depois em mim.&lt;br /&gt;Cliquem-me!&lt;br /&gt;Espero poder ser capaz de verificar um fabuloso incremento de três visitas nos registros dos caras.&lt;br /&gt;E, ah, a coluna lá deve ser quinzenal.&lt;br /&gt;E, ah, continuem visitando Viva Nosostros!&lt;br /&gt;Saúdes&lt;br /&gt;se vemos por lá&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-112221498615916470?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/112221498615916470/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=112221498615916470' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/112221498615916470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/112221498615916470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2005/07/outras-hilias.html' title='Outras hiléias'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-112161971666818173</id><published>2005-07-17T09:45:00.000-07:00</published><updated>2005-07-17T10:01:56.716-07:00</updated><title type='text'>I, me, mine</title><content type='html'>Essa semana li um texto daquele Contardo Calligari (Calligaris?) que me deixou bem impressionado. Eu nem costumo ler a coluna desse cara, como minha ignorância do nome dele deixa bem claro. Mas fui ver porque se tratava de coisas sobre terrorismo e o mundo árabe, e eu imaginava o que iria encontrar, e aparentemente gosto de sofrer ao ver minhas piores expectativas confirmadas.&lt;br /&gt;Odeio textos edwardsaidianos que exploram complexos de culpa ocidentais para expor as verdadeiras razões por trás dos ataques. E eles são o mais freqüente, ao menos na Folha. (Aliás, vale dizer [em época de efemérides sartrianas, em que as pessoas andam reavaliando a eventual decadência da influência do vesguinho na cultura ocidental] que poucos pensadores parecem ter tido uma decadência post-mortem tão grande quanto a que recebeu Said depois de sua morte: não paro de ver textos de refutação na imprensa...)&lt;br /&gt;Deixemos claro, o sistema colonial europeu-nortamericano promoveu o diabo na África e, também, no Oriente Médio (quem não acredita ou precisa de mais confirmação só dê uma olhada naquele "Todos os homens do xá", que meu brodinho não cansa de recomendar). E é óbvio que eles terão de colher conseqüências dessas medidas. Por outr lado, há que se dizer claramente que, malgrado as influências americanas sobre Sadam e Bin Laden, por exemplo, os ataques em Londres ou este último atentado no Iraque são obra de malucos obscurantistas perigosos. Não há camiseta de Che Guevara, não há diabolismo Bushiano que resolva este elemento da equação.&lt;br /&gt;A bem da verdade, é perigosíssimo o uso que certa parte da imprensa ocidental como que autoriza, desse legítimo complexo de culpa (ou complexo de legítima culpa) para corroborar uma eterna imagem de espoliação e reação legítima ao uso da força, com mais força.&lt;br /&gt;O texto do seu Contardo começava citando um intelectual italiano, cujo eu não me lembro o nome do qual (e sou preguiçoso demais para ir procurar) que dizia que um povo não pode sequer começar a compreender sua história se ele não se mostrar disposto a lê-la como autobiografia. Dizia ele que esse seria um processo muito semelhante ao da epifania psicanalítica: é preciso parar de gemer e reclamar dos traumas e castrações sofridos, é preciso parar de imputar responsabilidades e de agir responsivamente justificando seus procedimentos com base em uma imagem de condicionamente irrevogável.&lt;br /&gt;Enquanto, dizia ele, os povos do oriente médio, ou a África, não se dispuserem a conceber sua história como autobiografia responsável, as portas estarão abertas para que se "justifiquem" as ações de maníacos medievais.&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;A menção à África no parágrafo anterior, vem, aliás, da leitura recente de um outro texto (esse recomendado pelo meu irmão): uma entrevista de um economista queniano que dizia "pelo amor de Deus, parem de ajudar a África", em um apelo para que a Europa e os Estados Unidos (mais uma vez movidos por infindos complexos de culpa que encontram paliativos imediatos em caridade de curto prazo perpetuamente renovável) deixassem a África se erguer por suas pernas, permitissem (abortando um sistema que pouco mais faz que engessar o desenvolvimento eternizando a dependência: a África cumpriria assim sua função de depósito de culpas e "boasintenções" do assisntencialismo ocidental, dando sono tranqüilo a todos nós) que se erguesse uma infra-estrutura autônoma, deixassem que a vida do continente africano se formasse como autobiografia.&lt;br /&gt;Dizia ele, "vocês podem não se dar conta disso, mas nós já estávamos lá antes de vocês chegarem".&lt;br /&gt;Tenho dito&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-112161971666818173?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/112161971666818173/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=112161971666818173' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/112161971666818173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/112161971666818173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2005/07/i-me-mine.html' title='I, me, mine'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-112109023624325163</id><published>2005-07-11T06:56:00.000-07:00</published><updated>2005-07-11T06:57:16.253-07:00</updated><title type='text'>Thomas</title><content type='html'>Novamente eu lembro o personagem do grandissimenorme Nanni Moretti em Aprile: é preciso que todos saibam.&lt;br /&gt;Pois falemos de música. Eu gosto muito de música. Já pensei mesmo, seriamente, em viver como profissional, conservatório e tudo. Foi só um tendão da minha mão esquerda que não quis. Ando em uma fase de mais um grau de aposentadoria porque, depois que quebrei um dedo da minha mão direita no ano passado (em um acidente pra lá de imbecil) não voltei a tocar violão.&lt;br /&gt;Mas ouvir música é outra coisa, né?&lt;br /&gt;E a gente tem fases. Até o ano passado eu estava só ouvindo rock (e só bandas estranjas). Aí, devagar, devagar, fui voltando a uma fase que tinha deixado mais de lado havia uns sete anos, acho. E resgatei minha coleção de música erudita.&lt;br /&gt;Na época meu grande barato era o barroco. O velho Bach. Todas as minha senhas padrão (de imeio, de banco mesmo) são cifras bachianas (nem tentem acessar meus fundos líquidos: as cifras são muito inventivas). É uma marca. Hoje, se fossem inventadas hoje, elas seriam joyceanas.&lt;br /&gt;Continuo não dando muita bola para o século dezoito pós-bach e as estripulias do dezenove. A música volta a me interessar lá pelos anos vinte. E é pra isso que eu estou aqui hoje, pra dar dicas procês de música erudita modernista e recente. Coisas que valem toda a pena. E nem vou mencionar Stravisnkis, Pendereckis, Boulezs, Stockhausens, Berios e Nonos, Schoenbergs, Bergs, Weberns... Esses são os grandões. Vou falar mais de três ou quatro caras um pouco menos conhecidos e, em diversos sentidos, mais palatáveis que alguns desses aí (mas não pensem que os impalatáveis não são legais: eu me despenquei daqui até São Paulo no ano passado só pra ver o Penderecki reger a Osesp).&lt;br /&gt;O negócio, afinal, é que a aceitação mais larga anda sempre coisa de setenta, cinqüenta anos atrasada. E come pelas beiradas. O senso comum a respeito dos “grandes nomes” da música erudita vai até onde? Ravel? Orff? Stravinski e Schoenberg talvez, os dois nomes centrais do século vinte.&lt;br /&gt;Mas tem tanta coisa a mais.&lt;br /&gt;Como eu disse, eu reconheço que um diletante tenha dificuldade em gostar, de saída, de Nono ou Berio. Mas acho que dá. E vejam os meus caras de hoje.&lt;br /&gt;Antheil. Um ultra-modernista que estreou seu Balé Mecânico em Paris, naquilo que Sylvia Beach (a famosa dona da famosa livraria Shakespeare and Company) chamou de “o evento mais importante dos anos vinte”, com presença de Pound, Satie, Duchamp, Man Ray, Joyce. E a obra é divertidíssima. Estreou em versão para pequena orquestra, pianola e motores de avião. Ninguém ouviu a música na estréia, tamanho o barulho de vaias e xingamentos aos vaiadores. Mas é muito animado, divertido, inventivo e colorido. Mais tarde (ele tinha 23 anos na ocasião) ele escreveu coisas mais conservadoras (muito vilalôbicas pro nosso ouvido), mas ainda bem interessantes. Qualquer um pode ouvir.&lt;br /&gt;Nancarrow. Um cara que eu ainda nem consegui ouvir direito. Sujeito muito louco que foi expatriado dos USA por ter lutado a guerra civil espanhola, se enfurnou no México e se recusava a sair de lá até pra ficar famoso. Recusava convites, encomendas, honras. Escreveu o grosso da sua obra (pequena) para pianola. Ainda estou tomando coragem de mandar importar o álbum quíntuplo, mas o que eu ouvi é lindo. (André, essa é especial. Tente achar na Amazon um disco que tem ele e o Antheil e ouça um Blues dele pra piano).&lt;br /&gt;Schinittke. O santo padroeiro, na minha modesta, de toda a música erudita recente que se ressente da obrigação de ser seriosa, melancólica e sofrida. Muito bom humor. Muita paródia, muita diversão. Recomendo, paradoxalmente, o quinteto que ele escreveu como réquiem para sua mãe. Nenhum fã de Tom Waits com ouvidos abertos pode ficar imune àquela valsinha. (A Osesp toca ainda esse ano seu lindo concerto para viola. Corram)&lt;br /&gt;Adès. Hoje, pra mim, virou O cara. Um inglês. Quem diria.&lt;br /&gt;A Inglaterra, que na música pop é rainha, meio que só produziu dois compositores até hoje: Purcell e Britten (eles querem convencer o mundo de que Elgar seria o terceiro). Aí vem esse bostinha e, em 1993, com vinte aninhos, vira notícia. Ganha tudo que é concurso. Pra vocês terem uma idéia, para coroar sua polêmica escolha como regente da Filarmônica de Berlim, Simon Rattle abriu seu primeiro concerto com a mini-sinfonia Asyla, de Adés, que tem tudo pra virar clássico; a Sagração da primavera do século vinte e um. That’s a statement.&lt;br /&gt;Mesmo pra quem está acostumado (e talvez principalmente pra esses) com as ditas vanguardas, trata-se de música muito, muito nova. Você ouve os ecos de Stravinski, de Schnittke, do barroco francês, mas é tudo muito original. As sonoridades são diferentes (até os violinos dele são estranhos) as formas são interessantes, ele não tem escrúpulo de soar “bonito” no sentido convencional, ele não tem escrúpulo de soar “viril”, como disse meu irmão.&lt;br /&gt;Na primeira vez em que eu ouvi o cara, procês terem uma idéia, me deixei levar pelo instinto normal de encontrar semelhanças, influências, e não conseguia deixar de pensar em um nome: Adrian Leverkühn, o personagem do Doutor Fausto, de Thomas Mann. Adès, definitivamente, não existe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-112109023624325163?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/112109023624325163/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=112109023624325163' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/112109023624325163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/112109023624325163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2005/07/thomas.html' title='Thomas'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-111981228884985777</id><published>2005-06-26T11:56:00.000-07:00</published><updated>2005-06-26T11:58:08.866-07:00</updated><title type='text'>Ode ao acorde diminuto</title><content type='html'>Tudo isso é algo simplificado. Vou tentar fazer curtinho.&lt;br /&gt;Primeiro de tudo: a música é um sistema de valores puros. Nada tem valor por si só. Tudo tem valor enquanto relação. Uma bolinha em uma partitura não é nada até que se lhe ponha uma clave, uma chave de leitura. Uma figura de tempo não vale tantos milissegundos: vale metade de uma outra e o dobro de ainda outra. Uma nota não é bonita ou feia: duas juntas sim, simultânea ou consecutivamente... E mesmo que você possa dizer que uma mesma nota, emitida por um oboé ou um acordeão possa, sim, soar bem ou mal em um caso ou no outro, você está respondendo às diferentes séries harmônicas (elementos constituintes do que registramos como notas isoladas) de cada um dos instrumentos: relações. O que faz um intervalo, digamos, de terça maior não é o fato de ele compreender um dó e um mi, mas sim o de ele compreender um intervalo de dois tons, entre quaisquer das notas.&lt;br /&gt;Mas o que são tons? Desde o século dezoito vigora uma convenção que, bem ou mal, rege boa parte da música até hoje, com exceção de certa música erudita da metade do XX pra frente e de certa música popular (como o blues) que nunca deu tanta bola para ela. Essa convenção divide o contínuo dos sons registrados pelo ouvido humano em doze notas: dó, dó sustenido, ré, ré sustenido, mi, fá, fá sustenido, sol, sol sustenido, lá, lá sustenido, si. E o dó de novo. Deixemos de lado a explicação para a ausência de mis e sis sustenidos, e acrescentemos aqui que, para nossos fins, vale sempre o mesmo dizer dó sustenido ou ré bemol. Sustenido sobe, bemol desce. A isso se chamou temperamento da escala: igualar os sustenidos e bemóis. O Cravo bem temperado do velho Bach foi o primeiro grande monumento do sistema. Agora, uma explicação a gente não pode pular. Por que depois do si (tudo bem que não tenha si sustenido) não vem, digamos, um flum? Por que repetir tudo? Aí a explicação é fisicamente singela. Todos os intervalos de uma oitava, ou seja, os intervalos entre notas de mesmo nome, têm uma característica comum: as freqüências das notas se encontram em uma relação de 1:2. Uma é a metade, exatamente, da outra. Daí as doze notas. Separadas por meio tom cada uma.&lt;br /&gt;Acordes, por sua vez, são conjuntos de, pelo menos, três notas, tipicamente executadas simultaneamente, ou verticalmente, como se diz na música. Os dois acordes mais comuns são o maior e o menor. Um acorde maior tem as seguintes relações: Dois tons entre a primeira e a terceira notas e um tom e meio entre a terceira e a quinta. O que chamamos de uma terça maior e uma terça menor. Elas juntas (três tons e meio) formam uma quinta justa, o intervalo mais consonante de todos. Se você troca a ordem das terças, põe uma menor e depois uma maior, você mantém a quinta justa, mas gera um acorde dito menor. Alterar a quinta já gera acordes bem mais estranhos pro ouvido. Ao invés disso, a primeira coisa que se fez para enriquecer os acordes (as harmonias, as verticalidades) foi acrescentar mais uma terça àquelas duas, gerando os acordes ditos de sétima; acordes de quatro notas. Até aqui, mesmo a modinha mais infame vai.&lt;br /&gt;Com quatro notas você tem mais campo para variar. Simbolizando por um M a terça maior e por um m a menor, a coisa fica assim. Sempre mantendo a quinta justa, pra não doer, você pode ter acordes Mmm,  MmM, mMM e mMm. Lembrem, são três intervalos: quatro notas. Aí veio um espírito de porco e percebeu que, dentre os esquisitos acordes de quinto grau alterado (nenhum deles esquematizado aí em cima por que, como eu disse e acabo de redizer, eles tendem a ser esquisitos) um deles, de esquema mmm, tinha uma particularidade. Ele é o acorde diminuto! Aleluia!&lt;br /&gt;Mas, antes de falarmos da particularidade do acorde diminuto (mais de uma, na verdade) vale outra pequena digressão.&lt;br /&gt;A harmonia ocidental tradicional, assim como boa parte do resto dos elementos da música, sempre se definiu em torno de um movimento de tensão e relaxamento. Tipo trapézio. Você prende o fôlego da audiência e depois dá um suspiro de presente. Bem simplinho: se eu estou o tempo todo em dó maior e, de repente, entro com um acorde de si, teu ouvido vai ficar gritando que nem louco pedindo que eu volte pra dó (e um ouvido gritando não é uma coisa bonita nem de se ouvir nem de se ver). Ele quer resolução, relaxamento. O exemplo citado é simples porque, sendo o menor intervalo usualmente admitido, o semitom é a maior tensão melódica (entre notas simples), a maior tensão horizontal possível.&lt;br /&gt;Pois bem, o acorde diminuto é o rei da tensão, o que faz dele uma ponte adorada pelos músicos. Pra ir de repouso a repouso, ele é uma tensão cômoda e versátil. Quer ver?&lt;br /&gt;Primeiro, já ficou claro, acho, que ele é instável por si próprio. A quinta diminuída cuida disso. Além disso, como a gente mexeu na quinta, a sétima se aproximou demais da tônica (a nota fundamental). Enquanto que os outros acordes que eu mostrei tinham sétimas maiores ou menores (cinco ou cinco e meio tons), esse tem tipos uma sétima anã, que se chama sétima diminuta (quatro tons e meio). Ele é todo torto. Mais (e aqui vocês vão ter que acreditar em mim pra coisa não ficar muito longa) se você puser ele do ladinho de um outro acorde, maior ou menor, cuja tônica esteja a meio tom de distância DE QUALQUER DE SUAS NOTAS, você vai ver que todas as quatro notinhas do diminuto estão em relação de tensão com alguma nota do acorde vizinho! Daí a tensão perfeita que ele representa.&lt;br /&gt;Mas o maioríssimo barato é o seguinte, e é o que explica as letras maiúsculas do parágrafo anterior: como os acordes são esquemas de relações, se você virar um deles de cabeça pra baixo, por exemplo, mudam as relações, muda a hierarquia, muda o acorde. Mas se vocês fizerem as continhas, vão ver que o diminuto é circular. Um tom e meio entre a tônica e a terça, um e meio entre a terça e a quinta, mais um meio entre a quinta e a sétima... e se eu andar mais um e meio? Vou dar na tônica oitavada! E o ciclo se fecha. Ou seja, não havendo obrigatoriedade de se manter o acorde com os pés no chão, já que ele é redondo, não há tônica! De onde quer que se comece a contar as relações serão as mesmas. Não há hierarquia. Cada acorde diminuto é, pois, quatro ao mesmo tempo! E, como eles envolvem quatro notas (e isso é ainda mais louco!) só existem três deles!!!!!!&lt;br /&gt;Pensem bem. Eu quero ir de dó a sol. Aí resolvo usar um fá sustenido diminuto como ponte de tensão. Mas essa ponte é como que uma warp zone de videogame, e ela me permite, subindo ou descendo meio tom, seguir para nada menos que dezesseis tonalidades diferentes, entre maiores e menores, acima ou abaixo dela em meio tom!&lt;br /&gt;Não é lindo? E tudo é unicamente abstrato e matemático. E o ouvido vai ler aquele diminuto como um fá sustenido diminuto se eu for pra sol, como um ré sustenido se eu for pra mi. E vai funcionar. Ele, por si, como qualquer outro acorde, não é nada. Em relação ele se torna muitas coisas...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-111981228884985777?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/111981228884985777/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=111981228884985777' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111981228884985777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111981228884985777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2005/06/ode-ao-acorde-diminuto.html' title='Ode ao acorde diminuto'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-111918698274200581</id><published>2005-06-19T06:15:00.000-07:00</published><updated>2005-06-19T06:16:22.750-07:00</updated><title type='text'>André</title><content type='html'>Estou ficando velho junto com você, Andreiusha. Eu que sou coisa de semanas mais novo. E estou ficando chato igual a você. Daqui a pouco vou estar assinando embaixo de manifestos adornianos.&lt;br /&gt;Aos que não são o André, digo de maneira mais direta. Do meu ponto de vista adolescente e imaturo, estou ficando tristemente triste. O roquenrol feito hoje já não me diz nada. Patavinas. Só compro discos de bandas velhas que fizeram sentido antes e de música erudita. Acredito cada vez mais em indústrias culturais como única razão e condicionamento de gostos no mundo pop. Me ressinto cada vez mais do populacho. (Deus meu, André, eu já estou parecendo é o Polzonoff!)&lt;br /&gt;E isso tudo pra um cara que gostava de Toy Dolls, uma banda punk que cantava nonsense com voz de bonecos...&lt;br /&gt;Mas a bem da verdade eu ainda gosto de Toy Dolls. Ainda há salvação.&lt;br /&gt;No meu plano de me tornar um velho ranheta, só me incomoda isso: ter de dar um pouco (só um pouquinho, não abuse) de razão ao André, depois de treze anos de discussões acaloradas.. Mas isso é coerente, ser um velho ranheta envolve ser turrão. Não posso ceder a razão sem dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo isso, caros fottutissimi amici, pra dizer que eu, que nunca suportei axé, que me retorci de desgosto quando vi o primeiro vídeo da Daniella Mercury na MTV, hoje me encontro em situação mais desesperadora. Me vejo mais ilhado pela bosta.&lt;br /&gt;Porque não há um só lugar em que a gente não entre e em que ela não esteja. Tem tempo já que eu vinha me referindo a ela como a onipresente Ivete Sangalo, mas a coisa está passando mesmo dos limites da ubiqüidade, ou meu mau humor é que está.&lt;br /&gt;Você entra no supermercado, estão tocando o dvd dela, você vai ao shopping, lá está ela, você liga a tevê, ela está em um show ao vivo reprisado ao morto centenas de milhares de vezes, você passa diante de uma loja na calçada estão estuprando os teus tímpanos com a meleca do pererê!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez assisti a uma palestra do maestro Colarusso sobre a música do século XVIII. Ele lembrava que um diferencial de que freqüentemente nos esquecíamos era o fato de que aquelas pessoas não viviam cercadas por música; de que, nas palavras dele “para se ouvir música era preciso que alguém sentasse ao piano e fizesse clang”.&lt;br /&gt;Hoje penso mais é que eles não eram invadidos por música que não queriam. Fico me sentindo, quando me empurram Ivete Sangalo gorja abaixo, como o Alex de Laranja Mecânica, lembram? Para ele o mais difícil do sistema Ludovico não era assistir às cenas de violência, isso era um castigo que ele de fato merecia por sua iniqüidade, o problema era dessacralizarem Beethoven usando a nona sinfonia como música de fundo para a barbárie.&lt;br /&gt;E eu com Euterpe. A estupidez que a gente é obrigado a ver eu até aceito imposta. Mas precisava ter trilha sonora?&lt;br /&gt;Precisava deturpar o sistema abstrato mais perfeito que o homem já criou?&lt;br /&gt;Não dava pra deixar a música de fora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semana que vem, ode ao acorde diminuto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-111918698274200581?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/111918698274200581/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=111918698274200581' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111918698274200581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111918698274200581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2005/06/andr.html' title='André'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-111860989908290381</id><published>2005-06-12T13:57:00.000-07:00</published><updated>2005-06-12T13:58:19.090-07:00</updated><title type='text'>Blondia</title><content type='html'>Tem semanas que são obrigatórias.&lt;br /&gt;Nessa eu não posso escolher o assunto. Quinta-feira próchima e vindoira é dia de Bloomsday, e tenho uma obrigação quase que profissional da falar do assunto.&lt;br /&gt;Então, pra quem não sabe, o Bloomsday ganha esse nome graças a Leopold Bloom, personagem principal (e sensacional) do “Ulysses” de James Joyce, publicado em fevereiro de 1922. Como toda a ação do dito livro se desenrola no dia 16 de junho de 1904 (a bem da verdade entrando pela madrugada do 17), a partir dos anos cinqüenta o genialíssimo Flann O’Brien começou a instituir o costume de se comemorar a data com festividades joyceanas. A história, aliás, do primeiro Bloomsday nessa tradição (o próprio Joyce, morto em 41, chegou a comemorar alguns com amigos) já em bem divertida, muito irlandesa e muito Flann O’Brien: pois ele se juntou com uns amigos e saiu, a cavalo, para fazer uma ronda por Dublin, passando por pontos mencionados no livro e se detendo aqui e ali para tomar um goró. A ronda não passou dos primeiros pubs, e acabou com todo mundo da na sarjeta.&lt;br /&gt;Hoje, em todo o mundo tem lá uns malucos que se reúnem pra celebrar a data. Tomando café da manhã em praça pública, com o mesmo cardápio do desjejum do senhor Bloom, lendo trechos de Joyce, representando cenas do livro, cantando música irlandesa, enchendo os canecos até não mais poder.&lt;br /&gt;Em curitiba estamos indo acho que pro nono ano...? Ivan, me corrija.&lt;br /&gt;Sempre por iniciativa do centro feminino paranaense de cultura. Nesse ano a coisa, como no ano passado, vai acontecer na Fnac, lá no shops barigüi. Vai ter música irlandesa, música lírica citada no romance (o adultério de Molly Bloom, ponto central daquele dia, se consuma, por assim dizer, ao som de duas árias), leitura de poemas e espumante de graça!&lt;br /&gt;Apareeeçam!&lt;br /&gt;A partir das 19 horas. Neguinho vai estar por lá também distribuindo flampetos de inscrição em um cursinho Ulysses de três sábados, ao encargo de eu mesmo e daquele Ivan (Justen Santana) mencionado logo ali. No dia dezoito o Ivan fala de Joyce, vida e obra; no vinte e cinco falo eu sobre o Ulisses propriamente dito; e no 32 (rarrá) passamos o filme Bloom (Irlanda, 2003) uma adaptação do livro de Joyce, com comentário dos dois que vos falaram. Vai ser legal, eu acho.&lt;br /&gt;Apareeeçam!&lt;br /&gt;Recomendo mesmo o festerê fnaquiano (Embora eu, neste ano, não vá estar por lá: só dei parpite na organização). Não sei dizer, no entanto, se o grande atrativo do Bloomsday deste ano estará acessível lá. Dona Bernardina Pinheiro da Silveria, grande figura, 83 anos, lança nova tradução do livro! Já li pedacinhos e ela tem tudo para ser muuuito melhor que a que temos no mercado. Pode ser que a Fnac daqui já tenha no dia..&lt;br /&gt;Além dessa super efeméride, vale registrar para os maníacos por coincidências (e todo fã de Joyce ho he) que neste ano o 16 de junho cai numa quinta-feira, como em 1904, e que, neste dia, cai também o páreo da Gold Cup de hipismo, que tem considerável importância no livro.&lt;br /&gt;Saúdes&lt;br /&gt;E não deixem de ler o livro por causa da fama de difícil. A nova tradução da dona Bernardina pode ser um bom argumento novo. E o cursinho ivantânico pode dar uma bela mão. O livro dá trabalho, mas paga a pena.&lt;br /&gt;Hasta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-111860989908290381?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/111860989908290381/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=111860989908290381' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111860989908290381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111860989908290381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2005/06/blondia.html' title='Blondia'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-111807835545697670</id><published>2005-06-06T10:07:00.000-07:00</published><updated>2005-06-06T10:19:15.463-07:00</updated><title type='text'>Razão...</title><content type='html'>"A causa da desregulagem de tudo, a causa do desequilíbrio de tudo, é por ter terminado a fase do pensamento. Porque sabem perfeitamente que não há efeito sem causa. A causa desse grande desequilíbrio mundial é o término do pensamento.&lt;br /&gt;E para que encontrem o equilíbrio de tudo, têm que conhecer a natureza e a fase natural da natureza, que é a FASE RACIONAL, a fase do raciocínio.&lt;br /&gt;O pensamento parou de funcionar, porque terminou a sua fase; pararam as mentes, parou a regulagem e ficaram desregulados e depois de desregulados, a violência.&lt;br /&gt;A causa da violência é a paralisação do pensamento, por a fase do pensamento ter terminado.&lt;br /&gt;Enquanto o pensaento estava em vigor, dentro de sua fase, todos mais ou menos regulados. Depois que a fase terminou, todos completamente desregulados, porque na matéria tudo é assim: tudo que tem princípio, tem fim.&lt;br /&gt;E para haver a normalização e o equilíbrio de todos e de tudo, tem que conhecer a fase natural da natureza, que está em vigor, a FASE RACIONAL.&lt;br /&gt;Terminou a função do pensamento, nascendo na natureza, por circunstâncias naturais de sua evolução, a FASE RACIONAL.&lt;br /&gt;Para da FASE RACIONAL haver a mudança de todos para o seu verdadeiro mundo, o MUNDO RACIONAL.&lt;br /&gt;E por isso, o MUNDO RACIONAL é o mundo do raciocínio, o mundo do raciocínio é o MUNDO RACIONAL.&lt;br /&gt;Terminou a fase do pensamento, daí gerou a violência.&lt;br /&gt;A violência gerou mundialmente, por ter terminado a fase do pensamento.&lt;br /&gt;O pensamento parou e gerou a violência.&lt;br /&gt;Se o pensamento estivesse em função, o equilíbrio seria mais ou menos.&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;O QUE É CULTURA RACIONAL&lt;br /&gt;É o conhecimento da origem do ser humano. De onde ele veio, como veio, por que veio eo retorno à sua origem, mostrando como o homem voltará ao seu estado natural de ser Racional puro, limpo e perfeito. Tudo isto através das mensagens do RACIONAL SUPERIOR, um Ser Extraterreno, publicadas nos Livros "UNIVERSO EM DESENCANTO"."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem por acaso não saiba, dia 3 foi o dia da cultura Racional. A avenida Mariano Torres estava trancada por um grupo de velhinhos de branco que seguiam estandardes dos estados membros da federação e uma bandinha militar. Entre outras verdades, eles me informaram também que os livros UNIVERSO EM DESENCANTO se encontram à venda na alameda doutor Carlos de Carvalho, 156, 2o. andar, conjunto 03. E em outras nove cidades do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Es muele... o quieres más...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-111807835545697670?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/111807835545697670/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=111807835545697670' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111807835545697670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111807835545697670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2005/06/razo.html' title='Razão...'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-111739201119831578</id><published>2005-05-29T11:38:00.000-07:00</published><updated>2005-05-29T11:40:11.206-07:00</updated><title type='text'>Três porquinho</title><content type='html'>Um porquinho. Do desaparecimento de de.&lt;br /&gt;Cês já perceberam a extinção da preposição de? Tudo começou com aquelas orações relativas malucas em que é necessário fazer a regência do verbo antes do verbo regente aparecer. Tipo, as pessoas de que eu gosto não usam essas construções. Sabe como? Você precisa usar o de antes de surgir na frase o verbo que exige que você o use.&lt;br /&gt;Sabe qual que é o problema aí? Tem que pensar.&lt;br /&gt;Não adianta só falar. Você precisa usar a bosta que tem entre as orelhas e se adiantar no que vai dizer. A cabeça tem que ser mais rápida que a língua. Convenhamos, é pedir demais da maioria de nós. Conclusão: frases como, as coisas que você precisa estão na loja tal. Cada vez mais freqüentes.&lt;br /&gt;Mas, dirão vocês (digam, digam..), nesse caso não se trata de uma perseguição direta ao prove do de. Ele só uma preposição muito comum (a mais) nessa posição. Por isso parece ser com ele a coisa.&lt;br /&gt;Mas então vem o galicismo seboso dos vendedores de shopping que, não contentes com a frecurite de dizer que tal roupa eles só tem NO preto não tem NO azul. Agora conseguiram contaminar até construções como, sapatos EM couro, palmilhas EM borracha.&lt;br /&gt;Cáscara sagrada!&lt;br /&gt;O que é que tem de mau com o plebeuzinho do de? Esse é o mesmo povo que vai sempre estar tentando estar enchicando seu analfabetismo. (Meus colegas lingüistas que não me ouçam.)&lt;br /&gt;A sandra me disse que ouviu dizer que no orkut (na orkut?) tem uma comunidade chamada “eu odeio o mesmo”, que usa como mote aquela plaquinha dos elevadores: verifique se o mesmo está parado neste andar. Eu amo o de.&lt;br /&gt;Dois porquinho. Versalhes.&lt;br /&gt;Estamos vivendo o fausto da corte francesa pré-revolução. E o descaramento daquela nobreza. Ostentação, ostentação, ostentação.&lt;br /&gt;Dia desses na folha uma cantora, cuja eu não me lembro o nome dela, respondendo a um pingue-pongue (por si só bocó) que terminava com uma pergunta do tipo “seu momento preferido”, “quando você se sente bem”, soltou a seguinte pérola:&lt;br /&gt;Quando estou ralando trufas brancas sobre pasta al dente.&lt;br /&gt;Aaargh!&lt;br /&gt;Trufas brancas custam os cus das nossas calças (procurei na internet; pode passar de mil dóla o quilo), pasta é viadagem pra massa, al dente só estava li pra mostrar como ela é raffinée. E sabe o que mais me dói? (Você escolheu errado seu super-herói) Era capaz da safada dizer uma coisa dessas num daqueles registros “prazeres simples da vida” que também são cada vez mais freqüentes.&lt;br /&gt;Aaargh!&lt;br /&gt;Ponha o pé no chão e a cabeça na guilhotina.&lt;br /&gt;Os bárbaros! Os bárbaros! Vergonha na cara! Vergonha! Ai que!&lt;br /&gt;Três porquinho. Cultura.&lt;br /&gt;Uma vez fui reclamar no vizinho que alugava a casa para fazerem ensaios de bandas (eu pago pra ensaiar com os bichos buenos num estúdio isolado acusticamente!). Aí ele me responde (como eu queria que ele estivesse lendo..): É sempre assim; quando alguém resolve fazer alguma coisa pela cultura nessa cidade tem todo tipo de dificuldade...&lt;br /&gt;Tempo para eu esfriar as válvulas,&lt;br /&gt;Semana passada estava zappeando (em homenagem a don Francesco) e vi segundo de uma entrevista de um dançarino de salão que dizia que achava que a escola devia contemplar desde cedo a dança para valorizar a cultura popular brasileira.&lt;br /&gt;Cultura. A palavra mágica para ganhar dinheiro público e uma aura de pretenso respeito.&lt;br /&gt;Arte não serve pra nada. Isso faz parte da definição de arte. Um objeto de arte não tem utilidade pragmática, a não ser que você resolva usar um livro pra calçar uma mesa bamba. Logo, pensam os tatus, tudo que não tem utilidade é arte e, logo, cultura e, logo, defensável e nobre.&lt;br /&gt;Bandinhas de boteco. Teatro amador. Tecelãs de bolsas de Paranapiúna. A boiada do congado de Marcelópolis e o cineasta de Londrina.&lt;br /&gt;E Brutus é um homem honrado.&lt;br /&gt;E tenho dito, quer saber?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-111739201119831578?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/111739201119831578/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=111739201119831578' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111739201119831578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111739201119831578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2005/05/trs-porquinho.html' title='Três porquinho'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-111679908039687776</id><published>2005-05-22T14:56:00.000-07:00</published><updated>2005-05-22T14:58:00.403-07:00</updated><title type='text'>Cronicamentente inviável</title><content type='html'>Fui ver “Quanto vale ou é por quilo?”.&lt;br /&gt;Sátira mainardiana de boa cepa, como a Sandra já tinha me adiantado.&lt;br /&gt;Pra quem não sabe (e pra eu dar uma enchidinha na minha parca lingüiça) o filme intercala uma narrativa que trata do mundo ongueiro contemporâneo com quadros, pequenas historietas, todas retiradas de arquivos históricos, referentes ao período da escravidão.&lt;br /&gt;A idéia é que as estórias de época amplifiquem as ressonâncias dos temas tratados no segmento contemporâneo, botando na cara o cinismo envolvido em todas as relações.&lt;br /&gt;Benemerentes, corruptos, pretos, brancos, jovens, velhos. Absolutamente todo mundo entra no saco cínico. (Se forem ver, o que eu recomendo, vejam bem até o finzinho, até depois de iniciados os créditos. Não sobra ninguém de pé. Se preciso, o autor ressuscita mortos putativos para degradá-los.)&lt;br /&gt;No fim de contas, o retrato que resta é o bastante verossímil quadro de um mundo em que todo mundo está cuidando do seu. E se o que vale mais é alardear o interesse e o valor do outro, ora bolas, tem tanta coisa pior pra se fazer, não é?&lt;br /&gt;O mais curioso é isso. Trata-se daquele tipo mais abrangente de sátira que aponta apenas pro beco sem saída. Espremendo bem, talvez não se possam questionar as ações de todas aquelas pessoas. Talvez elas estejam de fato fazendo o possível máximo, ou seja, o que pensam e esperam seja “bom”. Se nisso vai alguma vantagem pessoal, também, ora, tem tanta coisa pior pra fazer, né?&lt;br /&gt;É claro que nada disso, nada dessa apontação de culpas inescapáveis pode fazer com que no fim a velha definição de sátira como “um espelho em que o espectador vê a todos menos a si próprio” continue valendo. Todo mundo pode sair do filme comodamente criticando a hipocrisia alheia, a venalidade alheia, a falta de vergonha generalizada sem se incomodar em ver que “é de ti que fala a estória”. E é.&lt;br /&gt;Eu, meramente por estar aqui exercendo minha pusilanimidade e meu mau-humor às custas do filme e dizendo a futuros potenciais espectadores o que devem ver e o que vão deixar de ver estou entrando nos mesmos quadros.&lt;br /&gt;Afinal, o próprio diretor, ao incluir com destaque (como manda o figurino) o nome de todas as empresas que desviaram dinheiro de pagamento de impostos para que ele pudesse fazer o seu filme e eles pudessem ter sua marca vinculada a um produto de “alta cultura”, o que pode interessar a seu público-alvo (ninguém perde: Sérgio Bianchi, a “cultura” brasileira [um dia tenho que escrever alguma coisa sobre esta nefasta e onipresente noção de “cultura”], a nossa imagem... que mal há nisso?) está fazendo PRECISISSIMAMENTE a mesma coisa que fazem as ongs de que ri seu filme.&lt;br /&gt;Cada um acredita em suas verdades e por meio de qualquer empulhamento descarado se utiliza dos meios cínicos a seu dispor para fazê-las vistas. E se promover de quebra.&lt;br /&gt;A verdade de Sérgio Bianchi, no entanto, é destrutiva e, por isso mesmo, mais necessária.&lt;br /&gt;Pois apesar de algumas pessoas acreditarem no “pós-Seattle”, a verdade de Kaváfis continua válida. Os bárbaros não vieram.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-111679908039687776?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/111679908039687776/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=111679908039687776' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111679908039687776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111679908039687776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2005/05/cronicamentente-invivel.html' title='Cronicamentente inviável'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-111617718853480806</id><published>2005-05-15T10:09:00.000-07:00</published><updated>2005-05-15T10:13:08.540-07:00</updated><title type='text'>Vaidade das vaidades</title><content type='html'>Hoje pretendo começar a dar pleno fôlego a meu projeto de realização do maior sonho secreto de minha pessoa que me fala.&lt;br /&gt;Ora, todo mundo pensou um dia em como seria legal ser ou ter sido um prodígio. Um mozartinho da vida. Uma daquelas criaturas que nos dão vergonha; que escrevem livros invejáveis antes dos trinta e um anos.. Trinta e um anos, que, como todos bem sabem, são a barreira definitiva para os prodígios. Se você não fez porra nenhuma para dar inveja em seus semelhantes até os trinta e um, trinta e um meio se quiser uma colher de chá, pode desistir.&lt;br /&gt;Assim, em um gesto inespe, desprepa e desesperado, lanço minha tentativa de excelir precocemente em algo que não seja o uso de palavras desusadas como excelir.&lt;br /&gt;Serei um consumado velho ranheta aos trinta e um anos de idade.&lt;br /&gt;Começando de hoje, dia não sei quanto de abril, às 21 horas e cinqüenta e dois minutos [texto armazenado, sabe..]. Não sei se não saber direito o dia cabe em meu papel de prodígio da ranhetice, mas, enfim, o gênio é aquele que faz que o que faz seja considerado genial.&lt;br /&gt;Eis-me.&lt;br /&gt;Começarei exercitando meus poderes de ranhetice contra o império da futilidade que nos cerca.&lt;br /&gt;De minha sacocheíce, apenas elencarei. Não tenho humor de escrever textos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha ladainha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roupas que custam mais que um salário mínimo&lt;br /&gt;Não agüento mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reality Shows&lt;br /&gt;Não agüento mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dandiismo zezedicamargoeluciânico&lt;br /&gt;Não agüento mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo Coelho e Dan Brown&lt;br /&gt;Não agüento mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Música nova de Gabriel o Pensador&lt;br /&gt;Não agüento mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gente imbecil com espaço na mídia para dar palpites&lt;br /&gt;Não agüento mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Delicadeza, sensibilidade, fofura (say it again!)&lt;br /&gt;Não agüento mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas erradas sendo notícia&lt;br /&gt;Não agüento mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crenças&lt;br /&gt;Não agüento mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ecochatos, fitnessmongos, fashionfuckers (Hallelujah!)&lt;br /&gt;Não agüento mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocabulário freudiano vulgarizado&lt;br /&gt;Não agüento mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gente desimportante se achando importante (eu e você inclusos)&lt;br /&gt;Não agüento mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crenças (essa merece ser repetida. é a raiz de todos os males. se você crê, de fato, você também quer me fazer crer)&lt;br /&gt;Não agüento mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pressão dos pares, lassidão dos ímpares (way to go!)&lt;br /&gt;Não agüento mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O irreconhecimento do gênio de Flann O’Brien&lt;br /&gt;Não agüento mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ter de defender Diogo Mainardi, que já é bem grandinho&lt;br /&gt;Não agüento mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Editores&lt;br /&gt;Não agüento mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sistemas de cotas&lt;br /&gt;Não agüento mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gente com uma missão (I’ve never had a mission!)&lt;br /&gt;Não agüento mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crenças&lt;br /&gt;Não agüento mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caetano Waldrigues Galindo&lt;br /&gt;Não agüento mais&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-111617718853480806?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/111617718853480806/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=111617718853480806' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111617718853480806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111617718853480806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2005/05/vaidade-das-vaidades.html' title='Vaidade das vaidades'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-111557571627383593</id><published>2005-05-08T11:07:00.000-07:00</published><updated>2005-05-08T11:08:36.280-07:00</updated><title type='text'>O tempora: humores</title><content type='html'>Eu, na minha vida, tive três namoradas. (Cinco, na verdade, contando as de dias e semanas)&lt;br /&gt;Eu, na minha vida, tive cinco guitarras. (Seis, na verdade.. contando a de dias..)&lt;br /&gt;As guitarras levam a melhor.&lt;br /&gt;As duas primeiras (Guitarras. Daqui pra frente esqueçam as namoradas, que tinham só a finalidade de dar um contraponto qualquer. Pretenso. Sem graça.) eu ganhei do meu pai. (Imaginem se fossem as namoradas. Mas esqueçam as namoradas, daqui pra frente.) Duas Gianninis. Uma azul modelo sonic, acho que em 86. Aí veio uma Les Paul preta, ano 75, que eu ganhei em 89.&lt;br /&gt;Depois disso eu passei por um grande período violonístico, em que a guitarra era meio que o demônio. Fui pro conservatório, saí. Entrei na universidade, saí formado. Entrei no mestrado. Tive uma filha. Entrei na docência. Consegui juntar 75 dólares, na época preciosa do um pra um e comprei uma guitarra velha de um conhecido endinheirado que não dava a mínima pra ela. Uma Epiphone, preta, modelo telecaster, depois de ficar nove anos com a Giannini.&lt;br /&gt;Acho que estava começando a ficar velho. Montei uma banda com meus amiguinhos. Começamos a tocar em 98. Minha última banda antes dessa tinha acabado em, sei lá, 89. Cabalístico..&lt;br /&gt;Gosto muito dessa Epiphone. Vagabunda, bronca, durona. Legal. E as teles têm um visual legal, super fifties.&lt;br /&gt;Aí terminei o mestrado. Me separei. Me enfezei, fui pra São Paulo e comprei uma guitarra. Uma Fender, preta, ano 97, modelo stratocaster, fabricada no México. Isso era 2001.&lt;br /&gt;Aí Doutorado. Casei. Mudei de casa. Faltou espaço pra três guitarras, dois violões, um cavaquinho, uma viola caipira, etc.. Vendi a Epiphone e a Giannini que restava (a primeira perdeu-se na poeira dos tempos: acho que meu pai vendeu pra um colega dar pro filho.). Comprei um clarinete.&lt;br /&gt;Agora estou pra vender a Strato pra tapar o buraco bancário, porque comprei mais uma (depois de uma experiência frustrada com uma outra que devolvi pra loja de tão ruim que era..): uma Ibanez semi-acústica, vermelha, com Bigsby, primeiro instrumento que comprei novo na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, vejam só, vocês que agüentaram até aqui.&lt;br /&gt;A primeira coisa é a vagabundice, que vai muito bem com minha incompetência musical: dois instrumentos nacionais, uma Epiphone imitação de Fender (sendo que a Epiphone, hoje, é a segunda linha da Gibson), uma Fender, sim, mas mexicana (segunda linha das Fender) e uma Ibanez, nova, sim, mas chinesa (segunda linha..). Segunda linha, c’est moi.&lt;br /&gt;A segunda coisa é a decadência. Depois de três instrumentos pretos e sérios, compro uma guitarra vermelha! O símbolo do símbolo da futilidade. E, pra quem não conhece uma semi-acústica com Bigsby, posso apenas dizer que elas são mais ou menos o equivalente, no mundo guitarrístico, de uma Harley Fat Boy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje de manhã, cúmulo de desgraças, estava trocando cordas da Olga (Olga é a Ibanez, em homenagem a Michael “Olga” Algar, líder dos imbatíveis Toy Dolls; a Fender era chamada de Zappatista, com dois pês, em homenagem ao Zappa e ao México e, mais perto do fim, Generosa... as outras tiveram nome não.). É difícil trocar cordas de uma guitarra desse tipo. Elas têm um sistema de molas que dificulta bastante as coisas.&lt;br /&gt;Sentado, barriguinha dobrada, calva vicejante, no sofá que acabamos de mandar recobrir, ouvindo Black Crowes (banda retrô), com o púdou do meu lado, eu trocava as cordas da minha guitarra vermelha anos 50 e pensava, pela primeira vez na vida, enquanto cuidava da posição das cordas no cavalete e na pestana (em uma e outra ponta), que bifocais podiam bem vir a calhar.&lt;br /&gt;Bifocais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha banda voltou a tocar. Tem ensaio amanhã.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-111557571627383593?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/111557571627383593/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=111557571627383593' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111557571627383593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111557571627383593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2005/05/o-tempora-humores.html' title='O tempora: humores'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-111495298761109761</id><published>2005-05-01T06:09:00.000-07:00</published><updated>2005-05-01T06:09:47.613-07:00</updated><title type='text'>Woody Blues</title><content type='html'>Woody Allen está vivendo um aparente fim melancólico.&lt;br /&gt;Ele é muito melhor que a gente, e ninguém, como dizia um jornalista britânico que o entrevistou, pode dizer que ele já fez o seu melhor. O cara pode mandar mais um Maridos e Esposas daqui a pouquinho.&lt;br /&gt;Não vou nem discutir o mérito de seus filmes mais recentes. As opiniões variam muito. Eu adorei Como Tudo na Vida e detestei A Maldição do Escorpião de Jade. Muita gente, mesmo entre os fãs, diz o contrário. Porra, quem é, por aí, que faz um filme por ano, todo ano? É de se esperar que isso oscile.&lt;br /&gt;Quando falo do aparente fim, penso em dados. Recentemente, quando do lançamento de Anything Else, uma vaca de uma repórter do Times fez um texto podre (ó o fã putão) se refestelando na situação do seu Woody. Dizia ela “ai, quem diria, ele agora faz entrevista coletiva de divulgação de filmes; ele que sempre esnobou a imprensa”. Ora, que fique tudo muito claro. Quem está a serviço de quem. Odeio esse axioma de jornalistas que reza que todos têm de dar as informações de que eles precisam. Entre políticos, ótimo. Entre artistas, é pretensão de quem se julga mais importante. Se o cara não quer falar ele não está esnobando porra nenhuma. Coletiva de divulgação é marketing. Não é informação. Marketing você usa quando precisa. Ninguém citaria a vaca do Times no Brasil (a folha reproduziu o texto) não fosse pelo Woody Allen.&lt;br /&gt;Ela é quem precisa dele.&lt;br /&gt;(E ele não é exatamente um esnobão. Sobre fazer um filme por ano, por exemplo, ele diz o seguinte. “Eu termino de filmar, aí passo umas duas, três semanas descansando. Aí, ora, o que que a gente faz da vida?: eu ouço música, assisto meu basquete, fico com a minha família, mas ainda sobra tempo; aí eu começo a escrever. Eu sou um escritor, só dirijo filmes para poder dirigir meus roteiros. E depois que escrevi quero filmar.”&lt;br /&gt;Sobre atores famosos trabalharem com ele pelo preço mínimo do sindicato (ninguém ganha mais que isso com ele):&lt;br /&gt;“Não é bem assim. Se eles têm um trabalho bom pagando dez milhões já agendados, ninguém aceita trabalhar comigo. Mas eu sempre convido em julho, agosto, quando está todo mundo desocupado. Aí eles vêm.”)&lt;br /&gt;Aí agora então o cara está definitivamente sem dinheiro. Há anos, anos mesmo, que os filmes dele só se pagam pela renda das bilheterias francesas. Nos Estados Unidos ele dá prejuízo. (Recentemente, quando lhe perguntaram o que ele faria de diferente em sua vida, ele primeiro respondeu brincando, “não leria Beowulf” (que é um puta poema!), e, depois, disse, “talvez eu tivesse ficado morando em Paris depois de lançar What’s New Pussycat. Teria sido legal passar a vida fazendo filmes em Paris..” Woody Allen. O Novaiorquino-rei.!&lt;br /&gt;O último filme dele (Match Point) foi todo rodado EM LONDRES, porque os estúdios americanos não podem investir os 15 milhões (máximo! salário do diretor incluído!) que custam seus filmes. Eles preferem investir 100 em um filme que gera 500 do que manter produzindo alguém que custa 15 e gera 17, em dois anos, com lançamento em dvd.. Business..&lt;br /&gt;Uma entrevista recente chega a sugerir que Melinda e Melinda pode bem ter sido o último filme novaiorquino do diretor. Talvez ele passe mesmo a trabalhar só na Europa. Talvez deixe o cinema. Pela primeira vez em muito tempo ele tem um filme sendo terminado e ainda não fala no próximo. Talvez ele fique no teatro (vai dirigir um texto seu ainda este ano..)&lt;br /&gt;Eu não vou me agüentar de saudade..&lt;br /&gt;Alénn disso, vejam só: Melinda e Melinda é metade tragédia metade comédia, sem participação de Woody. Match Point parece (ninguém sabe muito sobre os filmes dele antes do lançamento, os atores, inclusive, só recebem suas falas e só vêem o copião de suas cenas.) ser um drama, ou um suspense.. Sem ele, ou com ele em um pedacinho pequeno. Cadê os risadões de Anything Else?&lt;br /&gt;Ele sempre falou muito mal de seus filmes. Ele diz que filmar se trata de um processo contínuo de seguidas decepções. Que entre a idéia, o roteiro, o casting, a filmagem e a edição, o brilho que se via de início vai se perdendo parte a parte. Agora ele está falando bem de seu último filme. E isso é de fato raríssimo. Estamos falando de um cara que se propôs a fazer um filme de graça para o estúdio se lhe devolvessem a cópia máster de Manhattan para ele jogar fora. E agora fala bem de seu drama inglês.&lt;br /&gt;Desespero?&lt;br /&gt;Ele precisa de financiamento, e parece que não vão dar mesmo.&lt;br /&gt;Um dos textos que achei na internet descrevia um dia de filmagens de externas em Londres. Sempre que as nuvens cobriam o sol (ele odeia fotografar com sol) ele entrava em ação, com a cópia do roteiro na mão, olhando por cima do ombro do operador de câmera (mesmo sua equipe padrão se desmantelou: sua produtora de décadas o processou; cadê Susan E. Morse, Santo Loquasto, Mel Bourne e uma renca de outros que ficaram familiares para os adoradores em um tempo em que até o nome do operador de câmera de Woody Allen era famoso: Dick Mingalone..). E lá vem uma multidão de curiosos pedir autógrafos.&lt;br /&gt;E nosso amigo, setenta anos em dezembro de 2005, comenta com o repórter inglês, quando o sol aparece e interrompe as filmagens:&lt;br /&gt;&amp;shy;“Se pelo menos algumas dessas pessoas que vêm pedir autógrafos fossem ver os meus filmes...”&lt;br /&gt;Boa sorte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-111495298761109761?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/111495298761109761/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=111495298761109761' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111495298761109761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111495298761109761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2005/05/woody-blues.html' title='Woody Blues'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-111437523978624556</id><published>2005-04-24T13:38:00.000-07:00</published><updated>2005-04-24T13:40:39.786-07:00</updated><title type='text'>A episteme moronológica</title><content type='html'>Tomemos por exemplo o caso do réu Fulánez Desábato. Digamos que seu caso, aqui analisado, seja um bom exemplo dos problemas complexos porque passa a opinião do moderno colunista internético bloguístico. Caso não seja, não digamos.&lt;br /&gt;Vejam bem. Como portar-se.&lt;br /&gt;Postulado primeiro.&lt;br /&gt;Eu acho divertido isso de ficar enchendo o saco dos portenhos (a começar de chamá-los de portenhos, que é que nem chamar brasileiro de carioca). Acho salutar para o bem estar de uma noção que ela encontre um foco onde centrar o anti-desejo de sua pró-ficção. Tipos. Quem não tem onde cuspir não pensa aonde ir. Quem não tem escada sobe em nada. Tipo assim. Acho salutar. E apoio também que os argentinos riam da nossa cara em toda e qualquer situação que se lhes ocorra (e, cos diabos, a gente dá motivo). Proponho-me, aliás, a degradar publicamente do alto de minha poderosa tribuna internética todo e qualquer tangueiro safado que se veja no direito de relativizar ou mesmo negar o lídimo desprezo que eles por nós devem sentir. Nada contra acordos bilaterais, mostras de cinema argentino, tango (tá certo, alguma coisa contra tango..), auxílio econômico de um lado e de outro, casais interculturais, miscigenação, amigos argentinos. Desde que possamos manifestar nossas belas antinomias em praça pública e, especialmente, em campos de futebol.&lt;br /&gt;Não aceito argumentos. Acho bacana.&lt;br /&gt;(Quase tudo isso vale, também, para os atleticanos, que não são mais que argentinos listrados diferente. Por que vocês acham que eles verticalizaram a camisa? Juntem-se as siglas dos dois times, e obter-se-á Capafa, um dos nomes do Cujo, como todos sabem..)&lt;br /&gt;Sub-premissa primeira.&lt;br /&gt;Eu odeio racistas. Pensando bem, essa é uma das razões de eu “não gostar” de argentinos. Dá medo. Racismo é a burrice no poder. Quem cospe de cima nada vindima. Quem me usa de escada chega a nada. Sou pró-semita, pró-negro (o que, pra quem já me viu, convenhamos, é bem mais fácil), pró-tudo. Que bom que argentino não é raça. Trata-se, afinal, de uma escolha, como o mostram, ainda que com alguma minha desconfiança, Meligenis e Babencos.&lt;br /&gt;Não aceito argumentos. Acho legal.&lt;br /&gt;Aí vem o zagueirão argentino e junta a come com a vontade de fomer.&lt;br /&gt;Adversação primeira.&lt;br /&gt;No entanto. Sed Prima. Galvão Bueno é, e não tem porque deixar de ser, o alvo de toda a frustração reprimida do macho adulto variegado brasileiro. Tipos. É fácil demais. O cara está lá toda semana, falando bobagem sem parar (e quem vive de falar em público sabe que a coisa é toda uma média aritmética: quanto mais tempo você fala, mais fala bobagens, mas em PG.). E ele não está ali pra contra-argumentar. O cara é um prato-cheio. Um dono da verdade que não pode retrucar. Exercemos nele, noturnamente, nossa covardia pusilânime. Nele vingamos todas as ofensas da sociedade de consumo.&lt;br /&gt;Endosso. Apóio. Acho banaca.&lt;br /&gt;Quem não xinga não vinga. Quem a todos ama sozinho fica na cama.&lt;br /&gt;Conclusão segunda.&lt;br /&gt;E eis o mistério do infantilismo. A imbecil recusa que certas pessoas e, ou, situaçãos, apresentam; a impossibilidade que propõem. Como é possível que um ser humano funcione adequadamente em um meio complexo que não permite que seus ódios infantis se manifestem de maneira unívoca? E se eles se põem uns contra os outros?&lt;br /&gt;Pois eu não há gradação possível. Eu odeio mais o Galvão Bueno manipulador da verdade verificável em replay (está cada vez mais claro pra quem não viu o jogo que  coisa toda foi açulada por ele) ou o portenho racista?&lt;br /&gt;Que fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semana passada estava ouvindo Marisa Monte cantando Onde andarás, de Caetano Veloso e Ferreira Gular.&lt;br /&gt;Como fazer? A gestora da imbecilidade tribalista, o babaca opiniático que nos deu A Foreign Sound e o manezim dos textos coiós da Folha de S. Paulo (além de sério candidato ao título de cara de sovaco peludo do século, diabo chupando manga do milênio, desastre de trem de leprosos maranhense). Fazendo juntos um treco genial. Lindo mesmo.&lt;br /&gt;Não dá pra ser feliz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-111437523978624556?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/111437523978624556/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=111437523978624556' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111437523978624556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111437523978624556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2005/04/episteme-moronolgica.html' title='A episteme moronológica'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-111340033392105571</id><published>2005-04-13T06:51:00.000-07:00</published><updated>2005-04-13T06:52:13.923-07:00</updated><title type='text'>Texto imbecil</title><content type='html'>Acabei de saber que uma menina morreu. Com vinte e quatro anos de idade. Uma menina que eu conhecia.&lt;br /&gt;Mais. Mas a menina não acabou de morrer. A menina que eu conheci.&lt;br /&gt;Morreu em outubro de 2003. Com vinte e quatro anos de idade, que eu não conhecia mais. De uma doença bizarra que a deixou mais que fragilizada a vida inteira. Mas na rua. Na vida. Vinte e quatro anos. Foi namorada de um primo meu.&lt;br /&gt;E era a segunda coisa mais parecida com um anjinho que eu vi na vida.&lt;br /&gt;Tanta coisa pela frente..&lt;br /&gt;Tanta força..&lt;br /&gt;Essas pessoas passam pela vida da gente..&lt;br /&gt;A morte..&lt;br /&gt;Vá com Deus..&lt;br /&gt;Não vamos mais ouvir a única voz aguda, em todo mundo, que era agradável.&lt;br /&gt;É quando as coisas fodas, realmente fodidas, acontecem que a gente vê de onde vêm os clichês. A gente, hiperconsciente, continua com receio de usar. Mas. Tudo isso aí de cima.&lt;br /&gt;Psicologia de balcão só chegou ao balcão porque era muito solicitada. Lugar comum não é mais que uma palavra mais que as outras, uma metáfora que perdeu mais e mais a força, como dizia o velho Nietzsche.&lt;br /&gt;Só sei que a menina morreu. Que eu só fiquei sabendo dezessete meses depois, quando dela não há de sobrar nada. De uma menina que já parecia uma pluminha de pé.&lt;br /&gt;E nada. Nada. Faz a menoríssima diferença.&lt;br /&gt;Ela nasceu doente. Ela viveu doente. Ela viveu mais do que esperava.&lt;br /&gt;Que ela mesma dizia.&lt;br /&gt;Isso acontece o tempo todo. Tudo aquilo lá de cima acontece o tempo todo. Mas foda-se. A gente fica triste. Triste, que é a inânia feita gesto. A inutilidade tornada prisma.&lt;br /&gt;E se houver um colegiado das almas mortas fique aí uma lembrança, um afago, uma oração se fizerem questão.&lt;br /&gt;Fique aí um beijo pra Ana.&lt;br /&gt;1979-2003.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-111340033392105571?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/111340033392105571/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=111340033392105571' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111340033392105571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111340033392105571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2005/04/texto-imbecil.html' title='Texto imbecil'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-111316101995134211</id><published>2005-04-10T12:23:00.000-07:00</published><updated>2005-04-10T12:23:39.953-07:00</updated><title type='text'>Beleletras</title><content type='html'>Ouro do nariz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim.. Não é?&lt;br /&gt;Tudo uma imensa bobagem o da semana passada. A Sandra, que é mais esperta, já me tinha alerto. Mas, enfim, não é, no fim, que o assunto, o fim, seja tolo. Tolas eram as minhas respostas. Tentativas.&lt;br /&gt;Sabem o que que eu andei pensando, de lá pra cá?&lt;br /&gt;Não, Caetano, se a gente soubesse o que você andou pensando de lá pra cá você não teria necessidade de dizer, não é?&lt;br /&gt;Mas, como assim? Vocês esperam, ainda, ainda esperam, que eu diga coisas que vocês não sabem...?&lt;br /&gt;Hnnn..&lt;br /&gt;O que andei pensando é o seguinte. Que, sabe, que se dane. Permanência, schmermanência. O que eu quero é furunfar. O que me interessa é me dar conta de que, da páscoa pra cá, eu li acho que cinco livros e descobri coisas sensacionais.&lt;br /&gt;Li Enderby por dentro, do velho Burgess, escrito antes de eu nascer, e fiquei dias e dias extático. O texto é sensacional, o personagem é maravilhoso, a tradução, do velho senhor Paulo Henriques Britto, Zi Mã, é empolgantíssima.&lt;br /&gt;Li As Correções, de Jonathan Franzen, que foi escrito tem coisa de cinco anos, e fiquei de novo surtado de feliz.&lt;br /&gt;Sabe? A literatura está aí. Pra quem sabe ler. Eu tenho 31 anos, e meio, e meio, leio mais que a média da população desde, sei lá, os dez anos de idade. Li porrilhões de romances. Pretendo continuar lendo porrilhões de romances enquanto e sempre que me for possível e tenho certeza de que quando tiver oitenta e um anos e meio ainda vou encontrar coisas escritas antes de eu nascer e coisa escritas quase ainda ontem que vão me transformar no mesmo babão loquaz que eu virei nesses dias recentes.&lt;br /&gt;Tem um lado bom isso, de que eu sempre reclamo, de a gente ter que se formar na marra, na ausência de um meio cultural qualquer que nos cerque. Sabe, eu fico puto porque ninguém jamais me avisou da existência de William Gaddis, eu tive que descobrir quase por acidente e, por pouco, podia passar a vida sem saber. Oras..&lt;br /&gt;Mas, quando a gente descobre, meio sozinho, é bem bacana. E, afinal, ninguém sente falta da almofada de cetim que nunca teve, não é? O negócio é por prazer..&lt;br /&gt;Por prazer, então. Saiu esta semana a primeira tradução de David Foster Wallace no Brasil. Breves entrevistas com homens hediondos, livro de contos que foi o primeiro trabalho do sujeito depois de Infinite Jest (o livro que eu dava as cuecas pra traduzir..). Comprai, amigos. Tremei!&lt;br /&gt;Se vocês precisam de confirmações dos sinais vitais da literatura de qualidade, ele pode dar muitas mais do que meus textinhos bocós. Pra qualquer um que quiser se certificar de que a narrativa realista convencional ainda não está esgotada, logo o segundo conto resolve. Se, no entanto, você, como eu, é mais chato em busca de inovação formal, não há de sair desiludido também. O livro chega mesmoa  demonstrar que, ao contrário do que eu pensava, (1), ainda não estão esgotadas todas as invencionices de apresentação formal de um texto (narrativa, cartas, recortes, teatro, manchetes todo mundo já usou... ele achou uma ainda diferente) e, (2), que as frescurites pós-modernas não só não morreram como deixaram filhinhos vivos com imenso potencial e sem as rebarbas de baixo virtuosismo e engenhosidade gratuita que as vanguardas às vezes podem ostentar.&lt;br /&gt;Se, como acenei na semana passada, Franzen pode ser um resumo das técnicas do realismo ortodoxo, este livro do mestre Wallace demonstra como se pode organizar um compêndio de técnicas modernas e pós-modernas, com calma e efetividade, sem deslumbramento, com frieza e fins determinados. O arsenal dos homens hediondos é muito maior que o de Franzen, mas a sensação de domínio de técnica é a mesma..&lt;br /&gt;Viva as letras, pois.&lt;br /&gt;Que são o que interessa.&lt;br /&gt;Saúdes.&lt;br /&gt;P.S. Eu não boto muita fé nesse rótulo “pós-modernismo”. Como diz meu amigo Luís Bueno, me mostre uma só das técnicas que esse povo usa que não possa ser exemplificada nos grandes textos da alta modernidade. Não sei se chego a concordar com Bloom (Harold) que sustenta que somente o romantismo representou uma efetiva (e última ruptura) sendo todo o resto desdobramento de premissas. Simplesmente não conheço o romantismo para saber. Mas dia desses, em um texto sobre Flann O’Brien, vi uma corajosa e direta dicotomia proposta para a modernidade e a pós-modernidade. Não sei dizer ainda se ela funciona. Se funciona sempre. E se só ela basta. Mas vale o registro, pelos colhão do cara: a modernidade era voltada a questões epistemológicas (como explicar o mundo) enquanto que a pós-modernidade se volta para questões ontológicas (que mundo é esse?). Sei lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-111316101995134211?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/111316101995134211/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=111316101995134211' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111316101995134211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111316101995134211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2005/04/beleletras.html' title='Beleletras'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-111254512209737479</id><published>2005-04-03T09:18:00.000-07:00</published><updated>2005-04-03T09:18:42.100-07:00</updated><title type='text'>Meras achâncias</title><content type='html'>Meu irmão me pede que escreva um texto sobre o seguinte. Seguinte, será que a gente pode concordar com os eternos velhinhos que hão em nós e que insestem em dizer coisas como o mundo não é mais aquele, no que se refere a literatura...? Será que existem, hoje, em atividade, autores que daqui a cinqüenta anos nós equipararemos aos realmente fodões...? Quem que são eles...?&lt;br /&gt;Primeiro, tenho de informar a vosco e ao meu hermanito que eu não sou piciricas de profissional no mundo literário. Por que que eu, no entanto, entantejo e me semeto a escrever, afinal. Negosseguinte: como algumas gentes sabem, eu estou tem já dois anos e meio enfurnado em um doutorado sobre Joyce (figurão dos figurões..) e, em algum momento do ano passado, me dei conta de que o que certas pessoas me diziam passava a ser verdade: eu estava me transformando em um crente xiita do joyceanismo. Sendo assim, resolvi me desintoxicar de Joyce e, para tanto, me enfiei em ler alguma ficção recente que pudesse desfazer a impressão de que tudo acabava com Joyce. Assim, ao menos no campo da literatura de língua inglesa, tenho alguma noção...&lt;br /&gt;Então, palpites.&lt;br /&gt;Um. Eu nunca tendo a acreditar nessas “decadências”. No entanto, temos que levar em conta que, apesar do que pra gente é ainda uma absoluta centralidade, o romance como nós os conhecemos é um fenômeno recente e que pode, de fato, deixar de ser culturalmente relevante em algum momento. No entanto, nós vivemos em tempos em que a possibilidade de acesso a formas de cultura/entretenimento e a variedade são tão grandes que existe, por exemplo, um mundo rockabilly com mercados e cultos, um mundo de revival de swing, uma cultura de haicai com seus ícones... O romance não deve desaparecer. Pode diminuir seu espaço, mas, portanto, a pergunta do fratello continua válida.&lt;br /&gt;Dois. Não sou profissional, não sou crítico, não tenho cultura nem colhão suficientes pra sair dizendo quem vai “permanecer” e quem não vai. E será esse o critério? Nos anos quarenta, alguns entendidos em literatura de língua inglesa poderiam apostar muitas fichas na “permanência”, digamos, de Joyce Cary. Que hoje é dúbia. Talvez não houvesse tantas razões para se prever a permanência de Flann O’Brien. Além de tudo, isso de permanência é mesmo um pouco relativo. Por mais que a gente queira (ardentemente, como eu quero) recusar os culturalismos na crítica e defender que há algo referente a mérito na canonização de nomes da história da arte, é impossível não perceber que há modas. O’ Brien, por exemplo, ainda não teve seu momento, mas parece que pode vir a ter.&lt;br /&gt;Logo, se não vou fazer grandes apostas, o que me resta? Mérito intrínseco? Inovação? Recepção?&lt;br /&gt;Do fim pro começo..&lt;br /&gt;A recepção de livros que hoje são clássicos pode ter sido muito variada. Joyce enfrentou nada além de oba-oba desde a publicação dos primeiros trechos do Ulysses, mas perdeu até amigos quando começou a soltar o Finnegans Wake. William Gaddis viu seu primeiro livro linchado pela crítica ter de esperar vinte anos por uma reedição e um “reconhecimento”. Um livro estraçalhado hoje pode ser a festa da crítica em vinte anos...&lt;br /&gt;Inovação? Aí é complicado..&lt;br /&gt;Vou tomar, desde já, dois nomes que acho que são fortes candidatos a “permanência”. Jonathan Franzen e David Foster Wallace. Franzen, no seu megalivrão As correções, tirou quase tudo de Gaddis. Do título aos temas, passando pela técnica. Tudo ali é tributário de The recognitions e, em alguma medida, é também algo diluído. Nada de mau nisso. É um puuuta livro. Mas, no quesito inovação ele não tem muito o que dar. Fica meio na situação que a crítica musical costuma atribuir ao velho Bach, resumo de toda uma época. Como diz o Cristovão, todo o realismo americano está contido ali..&lt;br /&gt;O Foster Wallace também tem relações com o Gaddis. Mas elas são mais ativas. Ele, ao invés de usar Gaddis como vanguarda e seguir no caminho aberto, dá alguns passos além. Ele é inovador. De fato. Por outro lado, ele tem relações de tributarismo, especialmente em seu primeiro romance, mas também no catatau Infinite jest, com um autor como Gilbert Sorrentino (em Mulligan Stew). Ora, Sorrentino é um clássico vanguardeiro. Ele estava ali pra abrir caminho mesmo, e tem para com Joyce e Flann O’Brien mais ou menos a mesma relação que Franzen tem com Gaddis.&lt;br /&gt;Ele é mais inovador que qualquer um dos dois dos mais novos. Mas não acredito que isso lhe dê automaticamente vantagens na corrida pela dita “permanência”. E Gaddis, afinal, ainda não é todo esse clássico fora do mundo de língua inglesa, embora eu ache que deva vir a ser.&lt;br /&gt;Mérito? Questão de opiniães para um amador como eu.&lt;br /&gt;O que um leitor minimamente aparelhado sempre tem, no entanto, condições de sentir, é um certo “vigor”, uma força que alguns têm e outros não. Wallace e Franzen, Safran Foer... Talvez eles tenham. Me parece que sim. Will Self, outro muito citado, eu diria que não. Mas quem sou eu..?&lt;br /&gt;Agora, uma resposta mais simples: Thomas Pynchon está na ativa, com romance publicado em 1997. Força, inovação, recepção eufórica, tudo ele tem.&lt;br /&gt;Sei lá.&lt;br /&gt;Vou ver se volto a isso.&lt;br /&gt;P.S.: Dia desses (cês acreditam?) me esquivei de mais uma vez entrar, com um leigo, na conversa sobre a necessidade da academia e da crítica darem ouvidos ao mundo reconhecendo a relevância de Paulo Coelho... Bugalhos são bugalhos...&lt;br /&gt;P.P.S.: Dias raros esses. A igreja católica se reconhece oficialmente acéfala!&lt;br /&gt;Saúdes&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-111254512209737479?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/111254512209737479/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=111254512209737479' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111254512209737479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111254512209737479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2005/04/meras-achncias_03.html' title='Meras achâncias'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-111254503216908826</id><published>2005-04-03T09:16:00.000-07:00</published><updated>2005-04-03T09:17:12.173-07:00</updated><title type='text'>Meras achâncias</title><content type='html'>Meu irmão me pede que escreva um texto sobre o seguinte. Seguinte, será que a gente pode concordar com os eternos velhinhos que hão em nós e que insestem em dizer coisas como o mundo não é mais aquele, no que se refere a literatura...? Será que existem, hoje, em atividade, autores que daqui a cinqüenta anos nós equipararemos aos realmente fodões...? Quem que são eles...?&lt;br /&gt;Primeiro, tenho de informar a vosco e ao meu hermanito que eu não sou piciricas de profissional no mundo literário. Por que que eu, no entanto, entantejo e me semeto a escrever, afinal. Negosseguinte: como algumas gentes sabem, eu estou tem já dois anos e meio enfurnado em um doutorado sobre Joyce (figurão dos figurões..) e, em algum momento do ano passado, me dei conta de que o que certas pessoas me diziam passava a ser verdade: eu estava me transformando em um crente xiita do joyceanismo. Sendo assim, resolvi me desintoxicar de Joyce e, para tanto, me enfiei em ler alguma ficção recente que pudesse desfazer a impressão de que tudo acabava com Joyce. Assim, ao menos no campo da literatura de língua inglesa, tenho alguma noção...&lt;br /&gt;Então, palpites.&lt;br /&gt;Um. Eu nunca tendo a acreditar nessas “decadências”. No entanto, temos que levar em conta que, apesar do que pra gente é ainda uma absoluta centralidade, o romance como nós os conhecemos é um fenômeno recente e que pode, de fato, deixar de ser culturalmente relevante em algum momento. No entanto, nós vivemos em tempos em que a possibilidade de acesso a formas de cultura/entretenimento e a variedade são tão grandes que existe, por exemplo, um mundo rockabilly com mercados e cultos, um mundo de revival de swing, uma cultura de haicai com seus ícones... O romance não deve desaparecer. Pode diminuir seu espaço, mas, portanto, a pergunta do fratello continua válida.&lt;br /&gt;Dois. Não sou profissional, não sou crítico, não tenho cultura nem colhão suficientes pra sair dizendo quem vai “permanecer” e quem não vai. E será esse o critério? Nos anos quarenta, alguns entendidos em literatura de língua inglesa poderiam apostar muitas fichas na “permanência”, digamos, de Joyce Cary. Que hoje é dúbia. Talvez não houvesse tantas razões para se prever a permanência de Flann O’Brien. Além de tudo, isso de permanência é mesmo um pouco relativo. Por mais que a gente queira (ardentemente, como eu quero) recusar os culturalismos na crítica e defender que há algo referente a mérito na canonização de nomes da história da arte, é impossível não perceber que há modas. O’ Brien, por exemplo, ainda não teve seu momento, mas parece que pode vir a ter.&lt;br /&gt;Logo, se não vou fazer grandes apostas, o que me resta? Mérito intrínseco? Inovação? Recepção?&lt;br /&gt;Do fim pro começo..&lt;br /&gt;A recepção de livros que hoje são clássicos pode ter sido muito variada. Joyce enfrentou nada além de oba-oba desde a publicação dos primeiros trechos do Ulysses, mas perdeu até amigos quando começou a soltar o Finnegans Wake. William Gaddis viu seu primeiro livro linchado pela crítica ter de esperar vinte anos por uma reedição e um “reconhecimento”. Um livro estraçalhado hoje pode ser a festa da crítica em vinte anos...&lt;br /&gt;Inovação? Aí é complicado..&lt;br /&gt;Vou tomar, desde já, dois nomes que acho que são fortes candidatos a “permanência”. Jonathan Franzen e David Foster Wallace. Franzen, no seu megalivrão As correções, tirou quase tudo de Gaddis. Do título aos temas, passando pela técnica. Tudo ali é tributário de The recognitions e, em alguma medida, é também algo diluído. Nada de mau nisso. É um puuuta livro. Mas, no quesito inovação ele não tem muito o que dar. Fica meio na situação que a crítica musical costuma atribuir ao velho Bach, resumo de toda uma época. Como diz o Cristovão, todo o realismo americano está contido ali..&lt;br /&gt;O Foster Wallace também tem relações com o Gaddis. Mas elas são mais ativas. Ele, ao invés de usar Gaddis como vanguarda e seguir no caminho aberto, dá alguns passos além. Ele é inovador. De fato. Por outro lado, ele tem relações de tributarismo, especialmente em seu primeiro romance, mas também no catatau Infinite jest, com um autor como Gilbert Sorrentino (em Mulligan Stew). Ora, Sorrentino é um clássico vanguardeiro. Ele estava ali pra abrir caminho mesmo, e tem para com Joyce e Flann O’Brien mais ou menos a mesma relação que Franzen tem com Gaddis.&lt;br /&gt;Ele é mais inovador que qualquer um dos dois dos mais novos. Mas não acredito que isso lhe dê automaticamente vantagens na corrida pela dita “permanência”. E Gaddis, afinal, ainda não é todo esse clássico fora do mundo de língua inglesa, embora eu ache que deva vir a ser.&lt;br /&gt;Mérito? Questão de opiniães para um amador como eu.&lt;br /&gt;O que um leitor minimamente aparelhado sempre tem, no entanto, condições de sentir, é um certo “vigor”, uma força que alguns têm e outros não. Wallace e Franzen, Safran Foer... Talvez eles tenham. Me parece que sim. Will Self, outro muito citado, eu diria que não. Mas quem sou eu..?&lt;br /&gt;Agora, uma resposta mais simples: Thomas Pynchon está na ativa, com romance publicado em 1997. Força, inovação, recepção eufórica, tudo ele tem.&lt;br /&gt;Sei lá.&lt;br /&gt;Vou ver se volto a isso.&lt;br /&gt;P.S.: Dia desses (cês acreditam?) me esquivei de mais uma vez entrar, com um leigo, na conversa sobre a necessidade da academia e da crítica darem ouvidos ao mundo reconhecendo a relevância de Paulo Coelho... Bugalhos são bugalhos...&lt;br /&gt;P.P.S.: Dias raros esses. A igreja católica se reconhece oficialmente acéfala!&lt;br /&gt;Saúdes&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-111254503216908826?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/111254503216908826/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=111254503216908826' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111254503216908826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111254503216908826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2005/04/meras-achncias.html' title='Meras achâncias'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-111193307646399535</id><published>2005-03-27T06:16:00.000-08:00</published><updated>2005-03-27T06:17:56.470-08:00</updated><title type='text'>Had we... and time</title><content type='html'>Semana passada Marcelo Gleiser escreveu um texto sobre o tempo. Meu mestrado trata do tema e, teressadim, fui dar uma olhada no que imaginava fossem novas disquisições de físico. Eis que senão quando, o que se me revela é um interessante argumento fisicolosófico, que destrincharei aqui cocês.&lt;br /&gt;Ele dava o exemplo de fazer uma omelete a partir de determinado número de ovos para ilustrar aquilo que é verdadeiramente o busílis com o tempo, conforme percebido por nós: sua inexorabilidade unidirecional. Lembrem, ele é físico, pensa em fenômenos físicos.&lt;br /&gt;A idéia é que, em teoria, é possível reverter um processo cronológico e, naquele caso, transformar a omelete em ovos. No entanto, tal reordenamento dependeria de tantas variáveis improváveis e de uma seqüência ainda tão mais improvável delas que o resultado, como possibilidade, é estatisticamente nulo. Diz ele, seria necessária a existência de um sistema ordenador de possibilidades praticamente ilimitadas. Poderosíssimo, sabe como?&lt;br /&gt;(Há uma primeira idéia muito interessante já aí. A de que o tempo seria acima de tudo um agente desorganizador. Aquela idéia por trás do famigerado conceito de entropia, que reza que os sistemas tendem a buscar um aumento de desordem –as estrelas a explodir, os compostos orgânicos a se decompor – a interessante idéia de que o repouso, a estabilidade, tende a ser apenas uma propriedade do caos, da desordem: qualquer sistema organizado é instável por sua mesma organização, e tende a se degradar em partículas independes e não-hierarquizadas por qualquer estrutra.&lt;br /&gt;O conceito de entropia saiu da física, para a biologia, para as teorias da comunicação, para a música de Ligeti, para o samba do crioulo doido. Mas a coisa é muito interessante.&lt;br /&gt;Tudo tende ao repouso. E tudo tende à desordem.)&lt;br /&gt;Para reverter a seta do tempo, portanto, seria preciso encontrarmos sistemas que fossem essencialmente organizadores, que impusessem ordem, que determinassem forma. Fisicamente, no mundo das leis da física, tal processo é, conforme descrito acima, habitante dos limites da impossibilidade, conquanto possível.&lt;br /&gt;O passo interessante, sugerido já no texto de Gleiser, mas apenas sugerido, é a semiotização da questão.&lt;br /&gt;Vejam só. A gente não pode pôr ordem no mundo e, portanto, não pode reverter ou anular o fluxo temporal (aquela entidade organizadora lá dos físicos só poderia ser a divindade.) Mas o fato é que o mundo físico, aquele das leis em que operam, graças!, os colegas do seu Gleiser, nos diz muito pouco, quase nenhum respeito. A gente não vive nele.&lt;br /&gt;A gente vive é em uma representação semiótica (simbólica) daquele mundo. Mediada, para nós, por sistemas que constituímos e que nos apresentam uma leitura da realidade, uma versão da realidade possível, que é a em que vivemos, de fato.&lt;br /&gt;O ser humano, dizia o seu Cassirer, é um animal simbólico. Podemos englobar o mundo, dar conta da realidade, por meio de nossos truquezinhos semióticos, que vão desde o singelo nomear de um objeto, um ser, uma realidade, à reelaboração desses elementos em outros sistemas organizados. O símbolo é algo que pode estar em algum lugar em que aquilo que ele representa não poderia estar, dizia Santo Agostinho. Neste caso, o símbolo pode estar dentro da nossa cacholinha (e já era nisso que pensava o Augusto), pode estar sob nosso controle, pode estar abaixo de nós.&lt;br /&gt;Que diabos de outros sistemas organizados são esses, em que podemos revirar o mundo e virá-lo do avesso? Aí é que entra a noção de forma simbólica do seu Cassirer. E é sempre bom lembrar que ele usava “forma” em um sentido arkantiano específico em que a palavra quase seria melhor traduzida por “fôrma”.&lt;br /&gt;Arte, mito, ciência, linguagem. Sistemas de que dispomos para, servindo-nos do princípio básico da representação semiótica (a simbolização, a significação.. e portanto todos eles dependem e frutificam em alguma medida da linguagem), reorganizar o mundo. Impor ordem ao caos que o tempo forma.&lt;br /&gt;Quando concebo um sistema mitológico, ordeno até a criação do mundo, quando explico a gravidade como força ou como dobra, imponho ordem ao cosmo, quando Duchamp põe um urinol na parede e o nomeia de “A fonte”, ele o retira de sua realidade e põe em outra, quando o Anticristo (personagem do primeiro romance de David Foster Wallace) batiza seu telefone de “nódulo linfático”, pode dizer sem mentir a seu pai que não tem um telefone.&lt;br /&gt;Vejam só se não é divertido.&lt;br /&gt;Antes mesmo de pensarmos que a arte luta contra o tempo por tentar, digamos, imortalizar Alexandre o Grande ou Hamlet, podemos inferir que a bichinha o faz como condição intrínseca de seu “modus operandi”. Ela ordena. Ela enforma.&lt;br /&gt;E ir contra o caos é ir contra o tempo.&lt;br /&gt;Nesse sentido, pensar é lutar contra Cronos.&lt;br /&gt;Talvez daí o fato de o tempo, para a humanidade, passar cada vez mais rápido!&lt;br /&gt;Enfim..&lt;br /&gt;Só mais uma: Plotino dizia que o tempo surgira quando a divindade se “apaixonou” pelo que não era divino e decaiu, deixou-se arrastar para o nosso mundo, afastando-se na eternidade e mergulhando em uma cadeia de conseqüências de extensão ilimitada e inescapável. Para ele, a divindade cometeu um erro, e se instaurou o caos...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-111193307646399535?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/111193307646399535/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=111193307646399535' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111193307646399535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111193307646399535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2005/03/had-we-and-time.html' title='Had we... and time'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-111134689458186643</id><published>2005-03-20T11:27:00.000-08:00</published><updated>2005-03-20T11:28:14.583-08:00</updated><title type='text'>caetano vs Caetano</title><content type='html'>Vi um filme essa semana em que a protagonista, depois de ouvir de sua mãe que ela não era normal, responde: ninguém é normal, mãe. Isso fez voltar a minha oca cabecinha uma antiga bissessão. Trata-se da citadíssima frase de meu epônimo veloso, que diz que, de perto, ninguém é normal. Bobagem.&lt;br /&gt;Primeiro, vejamos. Logicamente.&lt;br /&gt;Para que alguém possa enunciar filosoficamente (o que quer dizer sustentar com algum rigor argumentativo) coisa semelhante, ele deve concordar com algumas cositas.&lt;br /&gt;Que, primeiro, o enunciador se julga capaz de reconhecer e detectar algo que ele identifica com um padrão de normalidade. Ora, normalidade não pode a princípio ser algo instituído individualmente, a não ser pelos Pol Pots da vida. Logo, o indivíduo se julga capaz de reconhecer acuradamente um padrão reconhecido por uma maioria como o padrão de normalidade, senão reconhecido por todo mundo.&lt;br /&gt;Logo, de saída, o enunciador se anuncia, logicamente, ele mesmo normal.&lt;br /&gt;Mas isso ainda é de menos.&lt;br /&gt;Ora, normalidade seria o comportamento não-marcado, não-desviante do indivíduo típico (e “medíocre” no sentido pejorativo da coisa, parece vir implicado a cada vez que alguém repete a frase). Mucho bien. Aqui é facílimo de percebermos a inconsistência silogística da coisa. Ninguém é o indivíduo mediano, medíocre, típico.&lt;br /&gt;Ora, se ninguém é típico, a atipicidade é típica e, portanto, normal.&lt;br /&gt;Logo, todo mundo é normal se aceitamos que o desvio é a regra.&lt;br /&gt;Sabe como?&lt;br /&gt;Usualmente quem diz uma coisa dessas (retomo agora mais avaliativamente o que vinha dizendo lá em cima) parece se acreditar não apenas desligado dos critérios avaliativos e expectativos de alguma sociedade que é, em tudo e por tudo, exterior a ele, como também se julgar capaz de informar a essa sociedade que ela se fundamenta em uma ilusão. Uma ilusão ou uma hipocrisia de normalidade infundada.&lt;br /&gt;Meu algumento aqui é que quem se pensa subversivo é na verdade vítima de preconceito ainda maior neste casinho.&lt;br /&gt;O indivíduo está trabalhando, chauvinisticamente, contra uma noção que, nem ele mesmo percebe, é de definição tão impossível que reduz seu bordãozinho à inânia argumentativa.&lt;br /&gt;Com a melhor das esperança, podemos pensar ter visto a tal da frase sendo usada não crítica ou agudamente, mas apenas “subversiva” e “irreverentemente”, contra a mesma mediocridade, por pessoas para quem os desvios representam valores positivamente avaliáveis.&lt;br /&gt;E, para elas, de perto todos têm um pouco de loucos, o que os torna muuuuito mais interessantes.&lt;br /&gt;Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos são igualmente desviantes. Concordo.&lt;br /&gt;Isso é o que nos salva da medianidade típica? Lhufas. Que medianidade típica senão esta?&lt;br /&gt;Todos são igualmente desviantes. É essa nossa mediocridade.&lt;br /&gt;Logo,&lt;br /&gt;De perto, bem de perto, somos todos absolutamente normais. É só de longe, idealizados, que parecemos estranhos e interessantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gente é feita pra trilhar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-111134689458186643?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/111134689458186643/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=111134689458186643' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111134689458186643'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111134689458186643'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2005/03/caetano-vs-caetano.html' title='caetano vs Caetano'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-111072150071517560</id><published>2005-03-13T05:44:00.000-08:00</published><updated>2005-03-13T05:45:00.720-08:00</updated><title type='text'>Diogo Darwin</title><content type='html'>Amigos, hoje farei o impensável.&lt;br /&gt;Sevoltarei para morder a mão que há mais (bem mais) de dez anos me alimenta! Contrariarei o grão-mestre Diogo Mainardi!&lt;br /&gt;Já posso ver os esgares de sastifação...&lt;br /&gt;Pois, amigos, romanos, peões, eu continuo seferrando pública e convictamente entre minhas relações lowbrow (que é todo o brow que eu alcanço) por defender Diogo, o Cão. A defesa do satirista é, primeiro de tudo, um ato burro; segundo, inócuo; terço (como dizia a Beatriz), contrasensual. Especialmente de um satirista da cepa swiftiana... Mereço sestrepar.&lt;br /&gt;Enfim, contrariemos o Dimunho Mainardi, que me ensinou a pensar como poucos, já que com a formação escolar que a gente tem, vão ser sempre os contatos fortuitos que. Viva. Que fazer?&lt;br /&gt;A qüestã, contudo, é a seguinte.&lt;br /&gt;É conhecido o argumento do autor de “Contra o Brasil” de que nós não temos pataqüeras que oferecer ao mundo.&lt;br /&gt;Lendo o Darwin que venho, e que comparti cocêis tem coisa de duas semanas, parece que fica ainda mais claro. Aliás, o próprio Darwin, se não me falha a memória, foi um dos autores utilizados pelo tal livro mainardiano, que se esforça por recolher um amplo espectro de citações que degradem a mãe gentil.&lt;br /&gt;Efetivamente, os brasileiros quase fizeram Darwin perder a fé na espécie humana, que dirá na sociedade. Parecemos a ele um bando de loucos interesseiros, vis, corruptos e grosseiros. Ou seja, a negação de todos os ideais da alta civilização que a bandeira inglesa incorporava de forma inquestionada para o velho Carlitos.&lt;br /&gt;Há um trecho sensacional em que, estando em Salvador, sendo um dia bonito, Carlos Darvin se decide a não perder a oportunidade de trabalho, mesmo sendo... Carnaval! E ele precisa atravessar a cidade, vindo do porto, para chegar às matas onde pretendia realizar suas coletas de bicharocos variados. Diz ele que o senso-comum atribui grandeza e altivez a um homem que não treme diante das agruras que o destino lhe impõe, por exemplo, em uma guerra; mas que tais pessoas não concebiam o desafio à diginidade humana que representava a tentativa de cruzar, sem apressar o passo, as ruas daquela colméia de bárbaros que o alvejavam com bolas de cera cheias d’água e com seringas molhantes. É o ocidente culto intrépido (zenmente intrépido, esse ocidente) diante da inguinorança mais crassa.&lt;br /&gt;Ora, meu ponto, pontículo, é que utilizar tal (etal..) exemplo para demonstrar que nada temos a oferecer presume um belo de um otimismo! É em alguma medida acreditar que algo se constrói. Que nossa nulidade nada acrescenta a alguma coisa que, por via negativa, só pode ser positiva.&lt;br /&gt;Carambolas.&lt;br /&gt;O velho Darwin certamente pensava isso quando ainda não era o velho Darwin. Mas a gente...&lt;br /&gt;Dada uma visão swiftiana (hipótese, gente, não briguem comigo) de negação das possibilidades do gênero humano sobre a terra como tais, é bobagem pensarmos em contribuições falhas de nossa parte. A bem da verdade, nós representaríamos o futuro! A destruição de todas as pretensões a civilidade, a civilização, a cultura, a construção, a progresso e ordem pelo mero ridículo de nosso comportamento animalesco e inconseqüente.&lt;br /&gt;Não é a carnavalização, não é a porra da insossa irreverência que, vistas assim, seriam pouco ou nada mais do que tentativas de eufemizar nossa verdadeira contribuição ao projeto de fracasso humano em termos mais aceitáveis pelos padrões vigentes. Nosso verdadeiro contributo é a nossa estupidez!&lt;br /&gt;Ridicularizamos as pretensões humanais não através de algo que conseguimos refinar durante décadas nessa idéia estúpida, desembasada, equivocada, multi-uso, edulcorada e fofinha da nossa pretensa irreverência.&lt;br /&gt;Nós somos destrutivos. Nós somos imprestáveis, corruptos, perdidos. E o somos despudoradamente, enquanto os outros, todos, o são a meias, disfarçados pela “civilidade” que cobre suas bundas. Nós nos vendemos, prostituímos nossa mulheres para os estrangeiros antes mesmos de eles chegarem aqui, só nos cartazes que imprimimos, e lhes transmitimos doenças quando chegam! Nós saqueamos o vizinho, não perdemos oportunidade. Nosso governo nos expropria continuamente. Nós os elegemos. Gostamos de apanhar porque a estupidez é o nosso jogo. Porque se um dia for a nossa vez a vingança virá a cavalo! (Somos tão bestas que nem nossos provérbios são atualizados!).&lt;br /&gt;Nós podemos ser vistos como o fim último da narrativa humana neste vale de lágrimas. Até porque nem as lágrimas a gente solta. A gente ri bem feliz.&lt;br /&gt;E os poucos de nós que podem ver isso e agir assim sobre nós e sobre o mundo tem esse dever. De expor nosso ridículo como o ridículo do mundo. Expor nossa imensa contribuição à imagem desfocada que a humanidade civilizada que se considera mundo enquanto fecha os olhos para continentes inteiros de pretos, amarelos e pardos pobres tem de si própria. Nossa função, como a da literatura, é degradar a humanidade.&lt;br /&gt;De volta a ele, pois essa era a função que o louco narrador de O Polígono das Secas dizia ser a da literatura. Diogo Mainardi é brasileiro. Seu dever é achincalhar o Brasil. Quando ele estava na Itália ele ainda achava tempo pra achincalhar também a Itália, afinal. Voltamos a ele. Não sei se o texto, enfim, era tão anti, assim...&lt;br /&gt;(P.S. Isso tudo é inconseqüente. É bobagem. É generalização em uma lauda de Word. É palavrório bombástico. Agora, porque nessa terra “irreverente” as pessoas não podem fazer isso, mas ninguém reclama se soltarem uma página de igual inconseqüência reproduzindo loas e leituras imbecis de louvor? Somos ressentidos também. Como é que ele pode?)&lt;br /&gt;Saúdes&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-111072150071517560?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/111072150071517560/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=111072150071517560' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111072150071517560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111072150071517560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2005/03/diogo-darwin.html' title='Diogo Darwin'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-111011826828728979</id><published>2005-03-06T06:10:00.000-08:00</published><updated>2005-03-06T06:11:08.290-08:00</updated><title type='text'>De Bello</title><content type='html'>A palavra belicismo, tem seu primeiro registro na lexicografia da língua portugesa em 1958.&lt;br /&gt;Essa informação está no Houaiss e, como sempre, deve ser tratada com a cautela recomendada quando se lida com a mudança lingüística, sua percepção e sua institucionalização. A datação vem de um dicionário, o Caudas Aulette, que deve ter ido buscar a palavra na imprensa; e ela deveria ter algum tempo de uso estável para merecer uma entrada em um dicionário respeitável, condição que ela não parecia cumprir ainda em 48, quando da edição anterior do mesmo dicionário.&lt;br /&gt;Ao contrário de suas “sinônimas” (um truísmo lingüístico: não há sinônimos perfeitos) belígero, marcial, mavórtico, a palavra em questão ganhou tintas de pejo. Dizemos a todo momento que WBush tem uma política belicista, mas não a chamaríamos de marcial, em momento algum, mesmo que nos dispuséssemos a arcaizar o texto: marcial parece elogioso.&lt;br /&gt;Certo, vamos ao assunto.&lt;br /&gt;O fato é que a noção da guerra como “summum malum”, como violência desnecessária, como amostra do apocalipse, que levou inclusive às hipócritas guerras cirúrgicas de Bush, é de fato bastante recente.&lt;br /&gt;Por tudo que podemos depreender da análise das raízes reconstruídas do proto-indoeuropeu (língua que teria sido falada no neolítico superior), que constituem quase toda a informação de que dispomos sobre o povo que veio a colonizar quase todo o mundo ocidental, a guerra, a morte com honra, a violência eram não apenas presentes mas cultuadas entre eles. O que vale para a Grécia arcaica, para o império romano, para a idade média, o renascimento e o colonialismo, etc, etc... Foram os horrores naquele momento considerados insuperáveis da primeira guerra (eles não pensavam que ela seria a “primeira”) que começaram a gerar as condições para o surgimento de uma mentalidade pacifista dominante, ainda que cinicamente dominante.&lt;br /&gt;Pois bem. Pra que tudo isso?&lt;br /&gt;O negócio é que eu continuo envolvido com os diários do senhor Charles Darwin (que venho traduzindo nas horas vagas). E, por mais que seja complicado concebermos o prazer de um naturalista (geólogo, botânico, zoólogo, geógrafo... ai como era bom o mundo antes da segmentação) que se compraz e se refestela em enfiar bolas de chumbo através dos miolos de lhamas ou em chacinar uma colônia inteirinha de pássaros que habita um atol, acho que é ainda mais difícil entendermos, hoje, depois de Bertrand Russel e o pacifismo intelectual, que alguém devidamente escolarizado (formado em Cambridge e tudo mais) se entregue não só a arroubos belicistas como a cantares de louvor ao poderio bélico de seu “império”, outra palavra mardita nos hojendias.&lt;br /&gt;Ele diz, com todas as letras. Ele se delicia em ver a força inglesa manifesta em um exercício de guerra na Argentina, que ele diz ter sido a coisa mais impressionante que já viu (é bem verdade que ele tinha 22 aninhos, e dizia isso de quase tudo que via). Ele lastima a poltronice dos latinos, se comparada ao espírito mavórtico e belígero de seus compatriotas.&lt;br /&gt;Ruim imaginar um Richard Dawkins, um (falecido) Stephen J. Gould, se comprazendo diante da visão de um cruzador aparelhado para o combate, ou com o ímeto selvagem e irracional dos “marines” que se atiram sobre os inimigos, quanto mais escrevendo e publicando essas coisas.&lt;br /&gt;Máquinas de morte a serviço do império, para nós. Máquinas de morte a serviço do império, para Darwin.&lt;br /&gt;O problema é que, para ele, o império não só não era mau, como era “o bem”. Eles jesuiticamente ainda acreditavam em conversão e salvação. Eles e WBush.&lt;br /&gt;Qual é a diferença?&lt;br /&gt;Hoje o não-império tem voz e pode reclamar. Pode demonizar o colonizador. Hoje não acreditamos que haja “um” bem distribuível, ou não acreditamos que os outros o conheçam. Sei lá eu. (É bem verdade, Caetano, isso tudo é peixe demais pra tua rede).&lt;br /&gt;Sei que, pro WBush, não há diferença alguma.&lt;br /&gt;Semana que vem mais Darwin, menos sério. Seriíssimo.&lt;br /&gt;Saúdes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-111011826828728979?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/111011826828728979/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=111011826828728979' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111011826828728979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/111011826828728979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2005/03/de-bello.html' title='De Bello'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-110954783004479494</id><published>2005-02-27T20:43:00.000-08:00</published><updated>2005-02-27T15:43:50.046-08:00</updated><title type='text'>Seleção Natural</title><content type='html'>Fui à cidade. Ao desembarcar, encontrei a praça do palácio coberta de pessoas em torno da casa de dois cambistas que foram mortos ontem à noite de uma forma mais atroz do que o normal. É algo aterrador ouvir os crimes monstruosos que se cometem diariamente e escapam sem punição. Se um escravo mata seu senhor, depois de ficar confinado por algum tempo, ele se torna propriedade do governo. Não importa o tamanho das acusações que possam existir contra um homem de posses, é seguro que em pouco tempo ele estará livre. Todos aqui podem ser subornados. Um homem pode tornar-se marujo ou médico, ou assumir qualquer outra profissão, se puder pagar o suficiente. Foi asseverado com gravidade por brasileiros que a única falha que eles encontraram nas leis inglesas foi a de não poderem perceber que as pessoas ricas e respeitáveis tivessem qualquer vantagem sobre os miseráveis e os pobres.&lt;br /&gt;Os brasileiros, até onde vai minha capacidade de julgamento, possuem somente uma pequena quantia daquelas qualidades que dão dignidade à humanidade. Ignorantes, covardes e indolentes ao extremo; hospitaleiros e bem-humorados enquanto isso não lhes causar problemas; temperados, vingativos, mas não explosivos; satisfeitos com suas personalidades e seus hábitos, respondem a todos os comentários perguntando “porque não podemos fazer como fizeram nossos antepassados antes de nós”. Sua própria aparência delata a parca elevação de seu caráter. De vultos curtos, eles logo se tornam corpulentos e, possuindo seus rostos pouca expressividade, surgem metidos enter os ombros. Os monges diferem do pior deles no que se refere a isto: precisa-se de pouca habilidade em fisiognomia para ver nitidamente estampadas a astúcia perseverante, a sensualidade e o orgulho. Um velho que sempre paro para olhar, a única coisa que jamais vi parecida com ele foi o Judas Iscariotes de Scoen&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=8563466#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;. Tudo o que eu disse sobre os semblantes dos sacerdotes, pode ser transferido para as vozes dos velhos. Cercados de escravos, eles se tornam habituados aos tons ríspidos de comando e ao esgar de reprovação. Seus modos raramente se vêem suavizados por termos de tratamento carinhoso: nascem mulheres, mas morrem como demônios. Será mais fácil de se acreditar, quando eu declarar que o senhor Earl viu o toco de uma junta, que se arrancou com um aparelho de tortura, e que não sem freqüência eles guardam em casa.&lt;br /&gt;O estado da imensa população escrava deve interessar a qualquer um que entre nos Brasis. Passando pelas ruas é curioso observar-se as tribos que pode ser reconhecidas pelos diferentes ornatos entalhados na pele e pelas diversas expressões. Disso resulta a segurança do país. Os escravos têm de se comunicar, entre si, em português e não ficam, conseqüentemente, unidos. Não posso deixar de crer que serão eles um dia a dar as cartas. Opino baseado em seu número, em suas belas figuras atléticas, (especialmente se contrastadas às dos brasileiros) que provam estarem eles em um clima favorável, e em ter visto com clareza que seus intelectos têm sido muito subestimados: são trabalhadores eficientes em todos os ofícios necessários. Se os negros libertos aumentarem em número (como hão de aumentar) e ficarem descontentes por não serem tratados como iguais pelos brancos, a época da libertação generalizada não estará muito distante. Acredito que os escravos sejam mais felizes do que esperavam ser ou do que as pessoas na Inglaterra pensam que eles sejam. Receio no entanto haver muitas e terríveis exceções. O principal traço de seu caráter parece ser um ânimo e uma alegria maravilhosos, uma boa natureza e um “coração firme” misturados a um bom pouco de obstinácia. Espero que chegue o dia em que eles garantam seus próprios direitos e esqueçam-se de vingar o que se lhes fez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto é a entrada de 3 e julho de 1832, dos diários de Charles Darwin, quando da famosa viagem do Beagle. Despedindo-se do Rio de Janeiro, e do Brasil, ele resume suas opiniões. Vejam só...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=8563466#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Keynes informa: “Evidentemente se refere a uma gravura de Martin Schoen ou Schongauer (c. 1430-91), que mostra a prisao de Cristo.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-110954783004479494?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/110954783004479494/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=110954783004479494' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/110954783004479494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/110954783004479494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2005/02/seleo-natural.html' title='Seleção Natural'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-110892128234847031</id><published>2005-02-20T09:38:00.000-08:00</published><updated>2005-02-20T09:41:22.353-08:00</updated><title type='text'>Miscelânea</title><content type='html'>1. Descurpaí pela vagabundagem da semana passada. Continuo tentando manter a coisa regular aos domingos, mas estava ocupado com dona Biba e tive, precisos, doze minutos pra escrever e uploadar o treco... logo.. wake up and smell the shit!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. O grande Lielson me informa que eu posso comentar os comentários, e que isso é até, digamos assim, recomendável. Faloei a contar de hoje. Cada semana os eventuais da sumana que foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Ao de hoje.&lt;br /&gt;Saiu agorinha por estas bandas a edição de aniversário de London Calling, o melhor disco do punk britânico, ou ao menos o que mais determinou o futuro da música. Comprei (Rogerio, não precisa mais me devolver o original).&lt;br /&gt;Todo o disco duplo original, um documentário em devedê, cenas do estúdio de gravação, clipes, e mais as famosas vanilla tapes, fitas gravadas nos ensaios que geraram o disco e que formam uma espécie de versão pré-produção do álbum, em um cedê a parte. Pra quem quiser, já que a coisa é meio salgada, corram que a Fnac ainda está dando 20 porcento.&lt;br /&gt;O disco é maravilhoso. Aceitem a minha palavra. É certamente o melhor disco depois dos Beatles. 19 músicas das quais pelo menos 15 são maravilhosas. E tem de tudo: reagge, latinalha, jazz, pop (é quase impossível deixar de ouvir o que se faria durante os anos oitenta quase inteiros em certas faixas.&lt;br /&gt;Por exemplo, quando recebeu o telefonema da Rolling Stone (a revista) dizendo que o disco tinha sido escolhido como o mais importante dos anos 80 o recentemente (agora, não na época do telefonema) Joe Strummer respondeu com uns segundos de silêncio e, depois, a acachapante verdade:&lt;br /&gt;Mas eu pensava que o disco tivesse saído em 79...&lt;br /&gt;E saiu. Mas, amigo, podia ter sido ontem. Ou melhor, bom se fosse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Finalmente algo que não seja platitude ou informação que a gente consegue melhor em jornal.&lt;br /&gt;Vivemos tempos de hiper-produção (ah.. isso sim se parece com uma COLUNA). Sabe como (e lá se vai ele de novo)? As cantoras, as bandinhas, são marketeadas, montadas, escolhidas e dirigidas com base em pesquisas de mercado e coisas do gênero. Todo mundo pode ver.&lt;br /&gt;Agora, o meu problema é que isso se reflete no som (há muito mais a se ouvir em música pop do que pensam os detratores) e invade mesmo a produção de certos dinossauros (ouçam a última do barão vermelho pra me entender.&lt;br /&gt;A história é que as técnicas de estúdio e os equipamentos envolvidos evoluíram tanto que todo se empastelou. Os sons de bateria são perfeitos, pois, se você quiser, você pode até corrigir com o santo pro tools aquela batidinha meio de canto no compasso 37. É tudo uniformizado, homegeneizado e muito, muito “rico”. Hoje você grava um solo de guitarra sem passar por amplificador, direto na mesa, e, depois, corrige afinação, acelera, corta, edita, adiciona distorção, eco, efeitos de todos os tipos e, mais ainda, simula através dos amp farms da vida, o tipo de amplificador que você quer emular (eis a palavra do momento): marca, modelo, ano, e alto-falante. Quero um fender blues junior 68 com um celestion de 10’. Certo freguês...&lt;br /&gt;Pra vocês terem uma idéia, a fábrica que saiu na frente de todo mundo com isso de emulação de amplificadores agora lançou uma guitarra que pode emular os sons de diversos modelos (marca, modelo, ano...) de guitarras e violões. É tudo impressionantemente realístico, mas é claro que soa tudo muito deplástico.&lt;br /&gt;Por isso é que eu adoro, por exemplo, ouvir a bateria do Rage Against the Machine, que tem som de bateria (há muito mais para se ouvir)...&lt;br /&gt;Dados estes tempos apocalípticos que então vivemos (onde pitty, evanescence, three doors down, linkin park e o caralho ditam as regras... e vejam que nem citei coisas mais descaradamente “montadas”) o assombroso nível das composições de London Calling fica em segundo lugar (não, o punk não gerou só gritaria e barulheira, tatu) diante do prazer que é ouvir um disco que soa como uma banda tocando ao vivo, cheio de errinhos, de reverberações de sala.&lt;br /&gt;Um disco que, em comparação com o que se faz hoje, soa limpo, vazio, espaçoso, respirável...&lt;br /&gt;Imaginem. É como comparar o capitão Sky com Nosferatu.. A tecnologia pode ser uma coisa opressiva..&lt;br /&gt;Malpractice foi gravado inteiro ao vivo no estúdio (com todo mundo tocando junto, ao invés de tocar um de cada vez e depois misturar tudo na mesa, que já era padrão) quase que só usando as primeiras tomadas.&lt;br /&gt;Dig That Groove foi gravado E MIXADO em TRÊS dias!&lt;br /&gt;London Calling entrou no estúdio quase pronto, saído dos ensaios (a diferença entre as Vanilla Tapes e o disco é quase que só de arranjo e polimento).&lt;br /&gt;Produção demais cansa, cf. peruas e boys de academia.&lt;br /&gt;Tenho dito&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-110892128234847031?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/110892128234847031/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=110892128234847031' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/110892128234847031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/110892128234847031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2005/02/miscelnea.html' title='Miscelânea'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-110833395549653618</id><published>2005-02-13T14:31:00.000-08:00</published><updated>2005-02-13T14:32:35.496-08:00</updated><title type='text'>Roots, bloody roots</title><content type='html'>Eu não preciso, mas desejo vos dizer,&lt;br /&gt;O que me leva a este texto empreender:&lt;br /&gt;Depois de ter contado por mais que sabida&lt;br /&gt;A inexistência de uma obra conhecida&lt;br /&gt;Tratando de Alexandre, o Grande, e seus talentos,&lt;br /&gt;Hei de reconhecer que há merecimentos,&lt;br /&gt;Nas plagas que costumo ver como pequenas,&lt;br /&gt;Nas letras que me rendem sempre muitas penas:&lt;br /&gt;De França vem a mão que escreve o que eu não vi,&lt;br /&gt;E só recentemente (ignaro!) conheci;&lt;br /&gt;É Jean Racine que entre os mestres soberanos,&lt;br /&gt;Empunha a pena por cantar os poucos anos&lt;br /&gt;Em que viveu o macedônio general!&lt;br /&gt;Não li a peça, apenas sei que a mesma exista,&lt;br /&gt;Nas trevas dos depósitos, aonde a vista,&lt;br /&gt;Nem sempre avista o que merece ser notado,&lt;br /&gt;Nem sempre nota o que se avulta destacado.&lt;br /&gt;Racine é texto sério, é letra dura e linda;&lt;br /&gt;Merece todo (e mais) respeito (e mais ainda)!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas digam, meus amigos, meus leitores:&lt;br /&gt;Quem é que agüenta ler um texto assim,&lt;br /&gt;inteiro escrito em versos rimadinhos?&lt;br /&gt;Depois do mestre Will ter ensinado,&lt;br /&gt;Em todo o seu percurso de aprendiz,&lt;br /&gt;Que o só caminho para o dramaturgo,&lt;br /&gt;Parece ser do verso branco à prosa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Racine me dá uma preguiça....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-110833395549653618?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/110833395549653618/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=110833395549653618' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/110833395549653618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/110833395549653618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2005/02/roots-bloody-roots.html' title='Roots, bloody roots'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-110771404486794648</id><published>2005-02-06T09:51:00.000-08:00</published><updated>2005-02-06T10:20:44.866-08:00</updated><title type='text'>O cão</title><content type='html'>Olá, três leitores! (Daniele me deixou em paz: o número se mantém!)&lt;br /&gt;Bom, continuarei vituperando contra a burriça alheia. Contra a minha, vituperar seria redundante; eu somente forneço os argumentos.&lt;br /&gt;Ontem vi aquele filme Dogville, que todo mundo já tinha. Muito bacana. Muito bom mesmo. Mas aí fiquei pensando sobre a estupidez da igreja católica, que não viu o desmanche de seus textos e não reclamou, até onde saiba. E eles adoram reclamar. Posteriores descussões me fizeram ver, no entanto, que a minha leitura não tinha nem mesmo vindo à tona! Donde que já se viu?&lt;br /&gt;Expongo. Pra mim, o filme nada mais é que mais uma instância do dito método mítico de Joyce, conforme definido e estendido por Eliot. Nomeadamente: tome-se uma estória conhecida, e reproduza-se-a nos tempos modernos. O filme, pra mim, nada mais é que “o evangelho segundo Lars Von Trier”.&lt;br /&gt;Se não, vejamos: No mundo cão (Dogville, a cidade que é o contrário de Godville) chega quase que caída do céu uma Grace (a Graça), recebida por um Tomás, que escreverá sua crônica (um evangelho apócrifo de Tomé? Ainda tenho o que dizer do nome do rapaz...). Ela basicamente começa a operar milagres, cotidianos, enchendo de graça a vida de todos e de cada um. Até que eles, não percebendo a dádiva, a execram, exageram, acabam por martirizá-la (não, uma cruz seria muito óbvio: ela é presa a uma roda de moinho com uma corrente.. os mitos gregos também não estão de todo ausentes de um filme em que há toda uma família com nomes como Jason, Pandora, Achiles..) Até que seu Pai, que a havia escorraçado para este mundo, aparece, e um diálogo se passa entre os dois, em que o pai, o Jeová do velho testamento (sem nome no filme; nos créditos ele é the big man), critica sua filha por ser generosa e perdoar demais (mas eles são só humanos, responde a menina, que já havia dito anteriormente, “eu sou o que sou”, a conhecida única descrição que Deus dá de si mesmo na Bíblia, no gênesis 3:14, se não me falha a..). Ele quer que ela volte para casa e assuma o poder.&lt;br /&gt;Ela decide ir com ele, mas antes volta brevemente a Dogville (a ressureição), trazendo uma mensagem aos habitantes (que são 15, voltaremos a isso..) e, posteriormente, línguas de chamas que caem sobre eles (pentecostes). Sobrevive apenas Moisés (o cão, Moses), como que a sinalizar um recomeço (outro tema muito joyceano). Não bastasse isso, a música nos dá outra linda (meu Deus, como é linda..) chave de leitura, pois a Paixão segundo São Mateus do velho Bach toca durante todo o filme. Na cidade, além disso, havia uma igreja sem pastor, que começa a funcionar quando Grace chega (ela literalmente insufla spiritus nos foles do órgão), e que é indicada como casa de Jeremias (o profeta, afinal), e onde Grace é recebida por Martha. É nessa igreja, aliás, que é selada a sorte de Grace, e nem ela escapa ao juízo final encenado.. E veja a igreja católica cutucada..&lt;br /&gt;Quanto aos quinze habitantes? Eu diria que são o doze, mais Maria e José e Paulo. Há dois personagens (pai e filho) chamados Thomas Edison (Fiat Lux!), que remetem a Tomás (Aquino?) e que seriam os doutores da igreja (Joyce já nos ensinou que procurar sempre correspondências biunívocas pode ser estupidificante). Na verdade um deles é doutor, e o outro é escritor. Apesar da ausência do nome, penso poder ver o velho Agostinho escondido no rapaz de vida sem rumo (como ele), que traz aos outros (como Agostinho trouxe até nós) a Graça, que lhe cede inclusive seu apelidinho entre os patres ecclesiae: o doutor da graça. Acho que se pode ver até uma referência ao passado maniqueísta de Agostinho no fato de toda a obra do escritor constar dos adjetivos, Great e Little, seguidos de pontos de exclamação). Aliás o filme tem até um motto em latim: dictum ac factum, escrito na entrada da mina. Dito e feito.&lt;br /&gt;Todo mundo viu no filme uma crítica aos americanos, que está de fato lá. Mas eu desafio alguém a me vir com tantos dados concretos (e eu tenho muito mais na manga) provando ser esse o alvo primário do homem que confessa nunca ter pisado na América. Acho que a América para ele serviu mais como símbolo do Novo Mundo. Acho que ele quis acabar com a igreja cristã.&lt;br /&gt;Cartas para a redação.&lt;br /&gt;Té pra semana.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-110771404486794648?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/110771404486794648/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=110771404486794648' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/110771404486794648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/110771404486794648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2005/02/o-co.html' title='O cão'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-110716926609848522</id><published>2005-01-31T02:59:00.000-08:00</published><updated>2005-01-31T03:01:06.100-08:00</updated><title type='text'>Reconhecimentos</title><content type='html'>Desculpaí, meu povo, esqueci de atualizar ontem.&lt;br /&gt;Peraí? Meu povo? Tem alguém aí?&lt;br /&gt;Pareço ver convertidos meus três leitores de outrora a novos dois leitores. E muito agradeço ao Lielson e ao Ivan. Tenho lido vocês também.&lt;br /&gt;Enfim, no esforço de tirar leite de pedra que tem sido o meu exercício da escrita nos últimos tempos, prometi fazer mais uma mega-resenha aqui no brog. E hoje ela vem.&lt;br /&gt;Trata-se (trate-se) de William Gaddis, The recognitions.&lt;br /&gt;Breve nota histórica. O cara nasceu no mágico ano de 1922. Em 1955, portanto um aninho mais velho do que o imbecil que vos, publicou o catatau de quase mil páginas que, de início, deveria ter sido uma paródia do Fausto, mas que descambou e tomou proporções inesperadas até para ele. A recepção (não desanimeis, vates d’hoje!) foi patética e violenta. A crítica odiou o livrinho.&lt;br /&gt;O indivíduo tomou um golpe tamanho, que o levou a ficar sem escrever durante nada menos de vinte aninhos. Até que, em uma reedição, o livro foi alabado por toda a crítica e ele se motivou novamente, gerando JR, que (notinha de contentura) dia desses eu achei num sebo por deizão!&lt;br /&gt;Que diabos de livro é esse, que levou vinte anos pra crítica americana assimilar?&lt;br /&gt;Não vou narrar tramar ou enredos. Até porque, se eles existem, são tantos que são inenarráveis (uma palavra que eu sempre quis usar!). Eu acho, acho eu, que o livro é como que um romance sobre. O que eu acho sempre perigoso.&lt;br /&gt;No entanto esse aqui, ao menos pra mim, caiu quenenque uma pedra. Sério, meu povo, eu sou fútil e superficial, mas não vou me recuperar desse livro tão cedo.&lt;br /&gt;Certo. Sobre. Mas sobre o quê? &lt;br /&gt;Falsidade. De todo tipo. Parece que ele se obcecou por registrar todo tipo de inautenticidade no livro. Gente que usa pseudônimos e gente que, por acaso, tem o mesmo nome de alguém famoso. Ou de um lugar: há um casal chamado Victoria e Albert Hall. Pais que desconhecem seus filhos e filhos que vão ao encontro do pai e encontram um estranho, que adotam. Pais que querem adotar uma criança a partir de um catálogo e uma criança que transita sem dono entre as pernas de uma festa. Um falsificador de pinturas. Um falsário de moeda. Um pastor protestante cuja verdadeira fé é mitraísta. Um cristianismo que só vingou (às expensas do mesmo mitraísmo) por uma acidente histórico (e vale dizer que boa parte do livro se dedica a questões de história das religiões). “Artistas” inéditos. Sósias de artistas. Pretensões de toda espécie. Plágio. Há até um personagem que tem por hábito assinar livros nas bibliotecas dos outros, dedicando-os aos donos; quaisquer livros. Tudo isso narrado com um talento imenso e de forma extremamente idiossincrático. A cena da festa, por exemplo, tem coisa de cem páginas, e o leitor transita entre os personagens ouvindo apenas pedaços de conversas, SEM QUE SE PERCA UM GRAMA DE INTERESSE!	&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meio cultural novaiorquino de Gaddis é um mundo de farsantes, pernósticos, rancorosos, recalcados... Alguma familiaridade? As relações interpessoais nesse mundo são igualmente superficiais, convencionadas e, em resumo, falsas. Amiguinhos, a coisa é duríssima.&lt;br /&gt;Se alguém for ler, não se deixe levar pela tom da abertura, que parece até prometer um livro engraçado. É que este livro, à la Joyce, iconiza seu tema. Se ele é sobre falsidade, ele será falso. Ele promete e não cumpre. Ele te leva a crer, a cada duzentas páginas, que seu personagem principal é outro. Ele te apresenta dezenas de personagens e não resolve nada de nenhum deles. Até o fim.&lt;br /&gt;Ironia é difícil de entender quando é levada às últimas conseqüências.&lt;br /&gt;Quando é com a gente mesmo, então...&lt;br /&gt;Talvez fosse crer demais na seriedade do mundo literário e acadêmico norte-americano esperar que eles engolissem e digerissem os reconhecimentos de Gaddis sem pedir vinte anos.&lt;br /&gt;Saúdes.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-110716926609848522?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/110716926609848522/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=110716926609848522' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/110716926609848522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/110716926609848522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2005/01/reconhecimentos.html' title='Reconhecimentos'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-110649640525224990</id><published>2005-01-23T08:05:00.000-08:00</published><updated>2005-01-23T08:06:45.253-08:00</updated><title type='text'>Do descalabro</title><content type='html'>Certo.&lt;br /&gt;Não vou falar sobre o Gaddis. Eu não presto. E mantenham isso em mente quando estiverem lendo o resto. Nada do que eu disser vale dizer que valho eu coisa qualquer. Nada de argumentum ad hominem comigo, meu povo.&lt;br /&gt;Fomos, eu e a patroa, unidade mínima de significado, assistir ao tal do filme Closer, de que tanto se tem.. Ela gostou bem mais do que eu, o que não significa que eu não tenha achado legal. Nada de non sequitur comigo.&lt;br /&gt;O que me interessa hoje, no entanto, é comentar a depauperização da crítica em geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E começo com Mozart. Mozart e seu amigo, o libretista Lorenzo da Ponte, italiano mucho loco que acabou dono de puteiro nos Estados Unidos. Juntos, eles produziram o clássico Cosi fan tutte, uma ópera cujo enredo eu resumo, mal e porcamente, no parágrafo que ainda não escrevi, e que vocês vão ler em breve...&lt;br /&gt;Dois amigos, prestes a se casar (cada um com sua respectiva...), resolvem testar a fidelidade das patroandas e, para tanto, montam o seguinte esquema: armam “viagens”, voltam disfarçados e tentam, cada um, seduzir a querida do outrem. Conseguem, desinlodem-se, e conclui-se o enredo com a amarga conclusão levantada desde o título da ópera.&lt;br /&gt;Todas fazem assim. Tanto faz elas como outras quaisquer.&lt;br /&gt;Pois bem, o que eu quero dizer aqui, é que o filme tem paralelos tão fortes com a ópera que se pode falar quase em releitura joyce-eliotiana, mais do que em mera “referência”. As trocas de casais, as viagens que incentivam ou geram as “traições”, o diálogo final entre os sujeitos e, especialmente, a atmosfera de desilusão permanente quanto à possibilidade de outra possibilidade possível. Mozart contudo fez uma comédia de erros. Nós, em tempos em que só se pode ser considerado sério sendo macambúzio, fizemos um drama doloroso.&lt;br /&gt;Ah, Caetano. Vai te catar. Isso é invencionice tua. Uma leitura. Você é que acha isso relevante. Vai querer dizer que vai chamar a crítica de cinema de burra e desinformada só porque eles não viram um paralelo que você viu? Só porque eles não tem uma referência que você tem e que, por talvez só ter essa, inventou de dizer que é relevante?&lt;br /&gt;Vou. E olhe que eu me tenho em bem baixa conta. Se eu vi, os críticos deveriam ter visto.&lt;br /&gt;Mas com que tipo de argumentos você pretende defender a idéia de que a tua leitura é algo mais do que um palpite interpretativo, e é realmente central para a compreensão (ao menos histórico-literária... pode-se dele derivar tudo quanto se queria sem recorrer a isso) do filme?&lt;br /&gt;Pois bem. Historieta.&lt;br /&gt;Hugh Kenner lembra que um dos últimos atos revisionísticos do maníaco revisador James Joyce, antes da publicação do Ulysses, foi o de retirar os títulos dos capítulos (episódios, os joyceanos preferem dizer) que faziam referência direta aos episódios da Odisséia. Assim, diz ele, ele deixou apenas uma pista para o paralelo homérico: no título. Não fosse isso, diz ainda ele, talvez algum scholar americano tivesse levantado a hipótese do paralelo com Odisseu e, lembra o Kenner, ele provavelmente seria linchado.&lt;br /&gt;Mas há o título.&lt;br /&gt;E o filme?&lt;br /&gt;A música de Cosi fan tutte toca o tempo todo. Mas nem isso bastou pra que alguém ligasse um fiozinho com o outro e lesse o que o autor claramente queria que fosse lido, como possibilidade de enriquecimento das leituras do seu trabalho.&lt;br /&gt;Outra prova? Da consciência que tinha o autor da relevância e do peso do texto de da Ponte para o seu trabalho?&lt;br /&gt;Dois dos personagens de fato vão à ópera. Mas, nesse único momento, não é Cosi fan tutte que estamos ouvindo. Mas a mais anódina Cenerentolla do mais anódino Rossini. E eles nem chegam a entrar, mas são atropelados pelo público que sai, e os envolve sem querer em uma ópera de que eles não sabem fazer parte.&lt;br /&gt;Tenho dito.&lt;br /&gt;Gaddis semana que vem.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-110649640525224990?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/110649640525224990/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=110649640525224990' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/110649640525224990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/110649640525224990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2005/01/do-descalabro.html' title='Do descalabro'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-110587973613702079</id><published>2005-01-16T04:48:00.000-08:00</published><updated>2005-01-16T04:48:56.136-08:00</updated><title type='text'>A OBRA AUSENTE</title><content type='html'>E lá vou eu refalar das mesmas coisas.&lt;br /&gt;Mas venham comigo um minutinho.&lt;br /&gt;Alguém aí?&lt;br /&gt;Pois bem.&lt;br /&gt;Fui ver o Alexandre do Oliver Stone. Santa Catchutcha, que coisa mais horrorenda.&lt;br /&gt;Eu sei, vocês dirão você merece, amiguinho. Quem manda não ler resenha. Ou, melhor ainda, quem manda ir ver filme do Oliver Stone. Mas fomos, eu e a patroa, em nome do Alexandros, figura mais que interessante.&lt;br /&gt;Vocês já devem ter ouvido todos os argumentos contra o filme, inclusive o fato de haver um misterioso sotaque irlandês não só provindo do protagonista (que é irlandês) mas de todo o exército macedônio! E os estrangeiros, como a mãe de Alexandre e sua mulher, parecem falar como mexicanos.&lt;br /&gt;É tudo que se pode supor com base nessa curiosa convenção de representação da realidade em que todos os períodos e povos falam inglês: que aqueles que eles consideravam estrangeiros falem inglês com sotaque! o Grego Ptolomeu de Anthony Hopkins fala british puríssimo, como em todo filme histórico americano que se preze... ai, ai..&lt;br /&gt;Não custa lembrar que a palavra barbaroi, para os gregos, se referia basicamente a quem falava grego com sotaque, ou não falava de todo. Só muda o endereço..&lt;br /&gt;Isso pra lá, venho lamentar inexistências. O site do imdb, (internet movie database, imperdível) falava há coisa de um ano de um filme sobre Alexandre que estaria sendo produzido por Baz Luhrman, de Romeu e Julieta e Moulin Rouge. Eu gosto desse cara, acho que ele é um dos últimos legítimos excêntricos com algo a acrescentar, além de pastichar Fellini, por exemplo. E acho também que Moulin Rouge é o mais próximo de um filme joyceano que eu já vi. Se houvesse um diretor dos meus sonhos para dirigir um Ulysses decente, seria ele.&lt;br /&gt;Conta-se também, mas aí as estórias divergem, que ele teria desistido do projeto (que já tinha escalados Di Caprio e Kidman) quando o filme de Stone passou adiante. Jamais saberemos, se for mesmo assim, o que ele poderia ter feito com o tema. Culpa dupla pro seu Oliver.&lt;br /&gt;A patroa se perguntava também porque haveria esse silêncio entre os grandes autores a respeito de Alexandre. Por que ninguém de primeiro time escreveu uma peça ou um épico ou um romance sobre uma figura tão sensacional?&lt;br /&gt;Resposta que me ocorreu quando ela me perguntou por que um Shakespeare da vida teria ignorado o tema: Marlowe poderia ter feito.&lt;br /&gt;Ele era um classicista, certamente conhecedor da história de Alexandre, e adorava este tipo de personagens, ousados no limie da hybris grega, aquela qualidade que leva os portagonistas das tragédias a peitar os deuses e o destino. Seu Doutor Fausto pede a Mefistófeles que lhe deixe ver o grande Alexandre.&lt;br /&gt;Mas Marlowe morreu, assassinado, ainda mais novo que Alexandre. E nunca vamos poder saber.&lt;br /&gt;Shakespeare, quando morreu, estaria trabalhando em uma peça chamada Cardênio, baseada em ninguém menos que Cervantes, no Dom Quixote. Cervantes e ele, aliás, morreram exatamente no mesmo dia. Uuuuu...&lt;br /&gt;Joyce morreu no auge, trabalhando, sugere Bloom, em um épico sobre o mar, apesar de ele mesmo ter declarado que pensava em escrever algo curto. O quê? Sei lá...&lt;br /&gt;Livros para mim são coisas muito importantes. Eles me habitam e eu convivo com eles.&lt;br /&gt;Livros (filmes) que poderiam ter existido e não existem são coisas das mais dolorosas.&lt;br /&gt;Enfim..&lt;br /&gt;Semana que vem um livro doloroso e MAGNIFÍSSIMO.&lt;br /&gt;The Recognitions, William Gaddis, e a falsidade humana.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-110587973613702079?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/110587973613702079/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=110587973613702079' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/110587973613702079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/110587973613702079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2005/01/obra-ausente.html' title='A OBRA AUSENTE'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-110535733239239114</id><published>2005-01-10T03:39:00.000-08:00</published><updated>2005-01-10T03:42:12.393-08:00</updated><title type='text'>ZEITGEIST</title><content type='html'>ZEITGEIST&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amigos, eismecá, diante de vós, para anunciar um algo que eu jamais.&lt;br /&gt;Me vi dizendo!&lt;br /&gt;Ando chegando simplesmente à conclusão de que eu estou de saco cheio do meu tempo. Será que isso tem alguma coisa a ver com a insondável profundidade envolvida na quebra da mística barreira dos trinta anos? (Lembram [Quem? Quem está lendo isso aqui?] do tempo da página antiga, em que minha idade ficava  no pé do sítio? Pois bem, hoje em dia Caetano Waldrigues Galindo tem 31 aninhos.)&lt;br /&gt;Não sei, mas sempre achei algo irritante essa idéia das pessoas dizerem que não gostam do seu tempo. Conseqüentemente me acho bastante irritante agora. A opinião continua a mesma.&lt;br /&gt;Trata-se de revelação tão momentosa, amigos, romanos e peões, que me darei o direito de fazer dois apartes.&lt;br /&gt;Um deles é que minha pentelhezição diante de janeiro de 2005, não tem, repito, não tem, ingredientes de nostalgia. Antes, qualquer antes que antes tenha sido, há de sempre ter sido pior, ainda que de maneiras diferentes. Ou pelo menos a mesma porcaria.&lt;br /&gt;They call me stormy Monday, but Sunday is just as bad...&lt;br /&gt;Outra, infelizmente, é que o meu fastio com janeiro de 2005 é mesmo um fastio. Não é uma indignação lindamente produtiva. Não se refere às injustiças sociais e à degradação promovida por nós no ambiente em que vivemos. Acho que até por isso é que não tenho nostalgia. O quesito que me enfastia não se refere a qualquer processo linear de degeneração ou corrupção moral, econômica ou filosófica. Não essas coisas estão altas demais pra mim, bons amigos meus.&lt;br /&gt;Eu simplesmente me chateio com a nossa estupidez (Eu primeiro, eu primeiro! Humano, demasiadamente humano, portanto imbessil demaziadamente imbessil. Não pensem que eu se eximo.). Não há limites para a estupidez humana, como dizia o Lewis Carroll e as pessoas que me conhecem já cansaram de meu ouvir citar. E, de novo, não me refiro à infinita capacidade do ser humano de compreender a interdependência dos todos elementos que constituem o ecossistema terra, nem à sua crescente cegeira diante do sofrimento dos seus semelhantes. Me refiro a coisas como as frases e as noções acima. E elas estão certas! Mas me incomodam.&lt;br /&gt;(E agora é o momento inevitável em que isso aqui tinha que ficar um pouquinho pernóstico)&lt;br /&gt;Acho, no fundo, no fundo, perto do baço, que a minha enchessaquização é com a verdade. Com as pessoas acreditarem que há uma, e que elas podem chegar até ela, e podem, inevitavelmente, tentar converter o mundo em seguida. Ou abanar sua bandeira de convicção por te apequenar, coisa que, me parece, acontece com cada vez mais freqüência e nitidez, em áreas cada vez mais numerosas e alastrosas. Auto-ajuda. Fitness. Tofu. Religião. Quem mexeu no meu queijo de soja abençoado? Em todo canto (informação, enformação, em forma: ação!) tem lá um neguinho convertido a uma coisa qualquer, de shiatsu a literatura (esse sou eu), querendo te provar coisas, te ensinar coisas em as quais a tua vida irremediavelmente será mais curta, de menor qualidade e menos satisfatória. Psicólogos, motivadores, personal trainers.&lt;br /&gt;Todos eles acreditam. E professam.&lt;br /&gt;E o que é que eu estou fazendo aqui neste exato momento se não isso?&lt;br /&gt;Nunca me levem a sério.&lt;br /&gt;Nunca.&lt;br /&gt;Especialmente quanto eu peço para não ser levado a sério.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-110535733239239114?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/110535733239239114/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=110535733239239114' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/110535733239239114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/110535733239239114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2005/01/zeitgeist.html' title='ZEITGEIST'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-110468058841739959</id><published>2005-01-02T07:42:00.000-08:00</published><updated>2005-01-02T07:43:08.416-08:00</updated><title type='text'>Peste</title><content type='html'>Na Peste, de Albert Camus, à medida que o número de mortos cresce diariamente, o médico, personagem principal, começa a se dar conta de que as pessoas simplesmente não conseguem assimilar o fato de que centenas de mortes estão ocorrendo diariamente.&lt;br /&gt;A morte de uma pessoa pode doer. A morte de quatro, em um acidente de carro, pode parecer uma tragédia incompreensível. Cem. Mil. E perdemos a noção do sofrimento. Deixam de ser vidas, viram número, deixam de ser mortos.&lt;br /&gt;Um dos principais argumentos do médico de Oran, no romance, ia na direção de assumir que as mortes privadas dos doentes em suas casas contribuíam para diluir sua importância. Ele imaginava que se todos aquelas mortes tivessem sido concentradas em uma única tragédia, um incêndio em um cinema, por exemplo, não haveria como escaparmos da força do fato. Ou, pensava ele, se simplesmente empilhássemos em praça pública os corpos de cada dia, para que a montanha nos mostrasse a dimensão. Mas somos bem piores do que isso.&lt;br /&gt;Os 17, 23, 35, 56, 100, 160 mil mortos do sul da Ásia, cuja contagem sobe diariamente, podem passar perfeitamente despercebidos. Trata-se da maior mortandade coletiva motivada por uma catástrofe nacional desde o tufão que em 1991 atingiu Bangladesh. Alguém se lembra do tufão de Bangladesh? Somos bem piores do que poderia prever um escritor existencialista.&lt;br /&gt;Todos nos condoemos publicamente e apaziguamos nossa sensação de pusilanimidade com afirmações de profundo sofrimento e pasmo diante dos caminhos escusos da natureza. Pior, “aí tem o dedo do homem”, também. E com isso passamos a fazer parte também da minoria gigantesca que não se considera parte dos homens e que se condói. E se apazigua.&lt;br /&gt;Dizem que o tremor da Malásia alterou a inclinação do eixo da terra. Mas dizem que a alteração é pequena demais para que possamos sentir qualquer diferença. Dizem que a alteração é pequena demais para que possamos sentir qualquer diferença. A alteração é pequena demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. Os americanos, sempre eles, os primeiros a morder e freqüentemente os únicos a assoprar (os americanos são milhões, não existe o americano, afinal), fizeram um filme sobre o genocídio ruandês. Hotel Ruanda, sendo lançado agora. Tomara que mais gente se dê conta do que aconteceu em 94.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-110468058841739959?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/110468058841739959/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=110468058841739959' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/110468058841739959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/110468058841739959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2005/01/peste.html' title='Peste'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-110410574845172582</id><published>2004-12-26T16:01:00.000-08:00</published><updated>2004-12-26T16:02:28.453-08:00</updated><title type='text'>Shrek the penman</title><content type='html'>Ok. Escabroso.&lt;br /&gt;Seguinte: O Ulysses, de Joyce, e a Terra desolada, de Eliot (valendo sempre lembrar que o Joyce chamava o Eliot de plagiário) estabeleceram, naquele fatídico ano de 1922, um dos procedimentos mais típicos daquilo que viria a ser chamado de modernismo (na época eles trafegavam mais entre rótulos como imagismo, vorticismo...).&lt;br /&gt;O tal procedimento era aquilo que o Eliot, reconhecendo a precedência joyceana, chamou de método mítico. A idéia de que escrevendo uma estória contemporânea sobre um molde de referências clássicas você ofereceria novas possibilidades de leitura a uma e outra. Era assim que o judeu corno de Joyce desmistificava Homero ao mesmo tempo em que se revestia de algo do brilho da toga grega. (Isso tudo, aliás, vem bem a servir para a gente pensar naquilo que diz o outro Bloom, o Harold, sobre não se poder reconhecer nenhuma efetiva cisão entre romantismos, modernismos e pós-modernismos: o culto do passado, a mitificação, a paráfrase, a ironia e a paródia seriam aspectos de uma mesma coisa... Sinistro...)&lt;br /&gt;Vistos assim, os desenhos animados recentes (ainda dá pra chamar de desenhos animados?) podem muito bem entrar no mesmo saco, não? Desde o Pernalonga na Távola redonda. Só que, para a geração Pixar, a referência “clássica” não é mais Homero, e sim a cultura pop de gerações anteriores. Uma espécie de retro-autofagia, sabe como? Pós-pós-pós.&lt;br /&gt;Muito bem..&lt;br /&gt;Vocês já devem ter percebido que esta ideiada toda está muito conteudística para a minha humilde. Pois muito, muito bem.&lt;br /&gt;Quem me deu-la, todinha, foi a patroa. Confesso. A minha participação nessa elucubração toda é de fato muito mais modesta. Ela se limita à constatação de um fato talvez meramente curioso, talvez da proporção das intrigas sobre a morte de Paul McCartney e de Kennedy. O fato, amigos e amigas, de que Shrek, o ogro, parece ser um tributário joyceano tanto quanto a poesia de Eliot!&lt;br /&gt;Tadá!&lt;br /&gt;Vejam só. Tudo parte de uma curiosidade. Não me preocupei em procurar muitas mais. Tanto Shrek quanto Bloom entram nas obras que tratam deles da mesma forma, de manhã cedo, e ambos, pasmem, têm ao menos uma ação similar. Eles fazem cocô!&lt;br /&gt;Saem de casa, vão para a casinha, fazem cocô enquanto lêem (e lêem precisamente o tipo de literatura que as obras de que fazem parte pretendem suplantar) e, num gesto de rebeldia intertextual, limpam suas bundinhas com uma página do texto “ultrapassado”!&lt;br /&gt;Sério, a coincidência me pareceu muito divertida, mas nada mais que isso. Não acho impossível que um redator de Shrek tenha lido o Ulysses. Mas também não tenho nada contra a idéia de que o simbolozinho possa ter ocorrido indenpentemente ao roteirista.&lt;br /&gt;Mas, convenhamos, a idéia da patroa tem um fôlego mais interessante. Se pensarmos, e podemos, no pós-modernismo como uma exacerbação da idéia da dessacralização moderna, podemos enxergar no cinismo com que o cinema infantil recente (freqüentemente o mais interessante em tela) se apropria de todo tipo de coisa uma seqüela, sim, daquilo que foi semeado por dadaístas, vorticistas, imagistas e companhia.&lt;br /&gt;Que, afinal, estavam aí pra isso mesmo. Pra virar comida de ogro pop.&lt;br /&gt;Hoje fui.&lt;br /&gt;Breve.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-110410574845172582?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/110410574845172582/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=110410574845172582' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/110410574845172582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/110410574845172582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2004/12/shrek-penman.html' title='Shrek the penman'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-110346148811056293</id><published>2004-12-19T05:03:00.000-08:00</published><updated>2004-12-19T05:04:48.110-08:00</updated><title type='text'>DFW</title><content type='html'>Para os texanos, e ao menos para os guitarristas, a sigla acima quer dizer Dallas-Fort Worth, e se refere a uma área conurbada do estado que produziu Albert King e Stevie Ray Vaughan.&lt;br /&gt;David Foster Wallace, graças ao nome compridão para os padrões americanos e a um talento muito acima da média, está dando um jeito de colocar o acrônimo da cabeça de todo mundo.&lt;br /&gt;O cara (muito novo, 42, hoje.) já era conhecido nos anos oitenta, por causa de um romance de estréia, The broom of the system, que lhe rendeu em geral elogios extraordinários. De lá pra cá ele escreveu contos e ensaios, até que, depois de um silêncio de seis anos, em 1996 ele terminou de escrever Infinite jest, o livro que lhe deu a reputação que hoje tem. O guru da nova geração de escritores.&lt;br /&gt;Gurus tendem a ser exóticos, e esse não é bolinho. Costuma posar para fotos promocionais com uma bandana florida, de bermudas e com um cabelão pelos ombros, e dá aulas mascando tabaco e cuspindo em uma caneca de vidro. Pelos comentários dos alunos na internet (ah, a internet...) ele parece ser mais temido que professor de filologia românica!&lt;br /&gt;Gurus tendem a ser humilhantemente superiores. Eu li só alguns desses caras da nova geração. Li os irlandeses, boa parte dos ingleses (gente como Will Self ainda conta como revelação?) e alguns americanos. E esse cara está mesmo alguns furos acima. Até pela pretensão. Alguém que se determina a escrever um calhamaço de 1079 páginas corre sempre o risco de, ou cair no oblívio imediato (título aliás de seu último livro, Oblivion), ou virar mito.&lt;br /&gt;É lógico que, depois de encarar a tarefa de lançar o treco, até os editores apostaram nas dimensões do catatau como estratégia. O novo Thomas Pynchon, era a comparação imediata. Mas, ao livro.&lt;br /&gt;Que é duca. Trata, entre muitas outras coisas, da história da família Incandenza. O pai, cineasta experimental, a mãe, diretora de uma academia de tênis, e os irmãos, Orin, tenista frustrado e hoje punter de futebol americano, Mario, uma criatura deformada e algo limitada em todos os campos, e Hal, o herói, que é um prodígio do tênis juvenil, na academia da mamãe, cada vez mais viciado em maconha. A academia, que fica no alto de um morro, proporciona todo um elenco de esquisitos. Um guru que levita sobre os armários do vestiário e se alimenta de suor, um diretor fascista, um prodígio canadense, Pemulis, um megadito!, um guri que fica grudado em uma janela congelada, uma tenista cega superdotada... todos eles deformados, de alguma maneira.&lt;br /&gt;Descendo a encosta fica uma casa de recuperação para drogados. Don Gately, a contraparte de Hal, que engole qualquer coisa que se possa arranjar em um laboratório e seus colegas internos. Gente que gosta de prender gatinhos em sacos plásticos e socá-los contra muros, gente que usa véus por fazer parte de uma sociedade de gente horrenda ou horrendamente deformada...&lt;br /&gt;Tudo isso apresentado em um futuro remoto (2019, calcula um dos anotadores que eu consultei) em que a América do Norte está unida como uma só nação, a ONAN (organização das nações da NA), onde os líderes do Canadá e do México são secretários-títeres do presidente americano, uma espécie de cruza de Reagan e Michael Jackson, e em que uma larga parcela dos EUA foi cedida ao Canadá apenas para ser transformada em cemitério de dejetos tóxicos (a Concavidade) que são arremessados até lá por gigantescas catapultas. O lixo já gerou monstros como hamsters selvagens que percorrem as pradarias em busca de destruição.&lt;br /&gt;Nesta paisagem, acredita-se que o pai de Hal tenha passado seus últimos anos (de uma carreira que começou no tênis, passou para a física teórica e prática e acabou no cinema de vanguarda) criando um filme que seria o entretenimento definitivo, tão divertido que causaria a morte do espectador, que se recusaria sair da frente da tela enternamente...&lt;br /&gt;A busca por esse cartucho mobiliza o Escritório de Serviços Não-Especificados da ONAN e diversos grupelhos de resistência Canadense, entre os quais os Assassins des Fauteils Rollants, os temidos assassinos de cadeiras-de-rodas. Rémy Marathe e Hugh/Helen Steeply, representantes irrespectivamente de cada uma das duas facções, tem um diálogo no alto de uma montanha que permeia boa parte do livro...&lt;br /&gt;Putz...&lt;br /&gt;O livro é muito divertido e, por vezes, muito, muito doloroso. Trata de muitos aleijões em um mundo muito competitivo. Hal parece ser o primeiro fruto bem-sucedido de uma geração de frustrados e abortados, que começa por um avô que, em um mergulho em quadra, deixou no chão um rastro primeiro vermelho e depois branco à medida que seus joelhos se lixavam no cimento até o osso... Mas isso só pra quem não prestou atenção na cronologia do primeiro capítulo... Mas tudo é escavado. O calendário da ONAN, por exemplo, foi vendido para patrocinadores, que dão nome a cada ano. Assim você leva quase duzentas páginas para entender qual ano vem depois de qual, já que os números não são mais usados... Putz.&lt;br /&gt;A imprensa americana tende a tratá-lo como uma análise da escravidão do cidadão atual, assujeitado à mídia e a uma infinda busca por diversão, na televisão ou em drogas.&lt;br /&gt;Eu, que tinha me prometido escrever menos extensamente, digo só que é um livro daqueles que você não vai ver igual tão cedo. E um caso raríssimo de um livro deste tamanho que você tem vontade de reler assim que acaba.&lt;br /&gt;Semana que vem, Shrek e Joyce.&lt;br /&gt;Saúdes&lt;br /&gt;Caetano&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-110346148811056293?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/110346148811056293/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=110346148811056293' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/110346148811056293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/110346148811056293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2004/12/dfw.html' title='DFW'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-110286952323116532</id><published>2004-12-12T02:38:00.000-08:00</published><updated>2004-12-12T08:38:43.230-08:00</updated><title type='text'>avolta</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Saúdes e saludos, então.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Eismecá. Devolta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Eu já avisei meus três fiéis leitores da volta do lapão e do novo endereço em que podem nos encontrar. Parece, no entanto, que meu irmãozinho ainda não colocou patavinas no endereço dele. O que pode atrasar o acesso das pessoas a esta página. Hmmm.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Enfim, primeiro de tudo, manda o bom-senso (eu imagino, tendo apenas um conhecimento superficial das regras do mesmo) que ao reencontrar três pessoas queridas depois de mais de um ano (Sim, pasmai, companheiros. Pelas minhas continhas tem coisa de quinze meses que se viu interrompida a produção lapônica) você dê pequenas informações sobre si mesmo. Como vai. Sabe como.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Pois bem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Neste tempo eu finalmente defendi a qualificação do meu doutorado: deixei de ser um desqualificado acadêmico. Terminei a tradução do Ulysses, traduzi um livro com os contos completos de Saul Bellow, traduzi e organizei um livro de poemas do Romeno Lucian Blaga, traduzi um romance chamado &lt;em&gt;No bosque da Noite,&lt;/em&gt;  de Djuna Barnes, fiquei mais careca, mais gordo, entrei em uma academia, corri durante uns três meses, parei de correr, saí da academia, fiquei mais gordo, mas acho que queda de cabelos não se viu alterada diretamente por isso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Mas como assim, Caetano, dirão vocês. Conte aí desses lançamentos que te trouxeram fama e fortuna e te deixaram à espera de um convite para passar o verão na Ilha de Caras. E com muito direito.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Um. O Ulisses. Não deve vir a ser lançado. O senhor Stephen James Joyce, único herdeiro dos direitos do vovô é muito duro. Pra vocês terem uma idéia, ele chegou a interditar judicialmente o lançamento da nova tradução francesa do livro, depois de inicialmente ter concordado, no momento em que a primeira tiragem já estava pronta. Ele proibiu leituras em voz alta de trechos do Ulysses no Bloomsday centenário que Dublin promoveu este ano. (Ah, eu fui a Dublin e a Londres também!). Além disso, o mês de março deve assistir ao lançamento da nova tradução brasileira da professora Bernardina pinheiro, que terminou seu trabalho cerca de seis meses antes de mim. A professora tem 82 anos (a mesma idade do livro!) e passou a vida toda estudando Joyce. Esperemos. O meu vai ficar de anexo no meu doutorado. Quem quiser ver terá que ir à biblioteca da USP ou à da Federal, a partir do meio de 2006.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Dois. Bellow. Graças à intercessão do nobre vizinho Cristovão Tezza, a editora Rocco aceitou me convidar pra um trabalho. A redalção final da tradução (que correu junto com o fim do Ulysses; vocês podem imaginar como eu fiquei insuportável de neurótico na época) está nas mãos deles desde começo de agosto. Não sei para quando vai ficar o lançamento. Esperava que viesse até o natal, mas já acho difícil...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Três. Mais ou menos na época em que os últimos textos da antiga página do lapão iam sendo escritos, eu fiz a tradução de cerca de quarenta poemas escolhidos por mim da obra do expressionista romeno Lucian Blaga, a convite da editora da universidade de Brasília. Eles recentemente entraram em contato comigo, novamente, mais de um ano depois. Parece que o livro sai no primeiro semestre de 2005.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Quatro. Para a editora Códex, de São Paulo, traduzi também por encomenda o romance da senhora Barnes, que era amiga pessoal do velho Joyce e que foi uma figura bastante importante na vida intelectual feminina parisiense do século XX. Figura interessante, com uma trajetória brilhante. Quanto ao livro, vejam por vocês próprios. Este está nas livrarias já desde junho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Mais coisas interessantes...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Vejamos...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Comprei um clarinete.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Descobri um autor impressionante. Um sujeito chamado David Foster Wallace, especialmente conhecido pelo catatau Infinite Jest, que é maravilhoso. Ainda não foi traduzido no Brasil. Livro divertidíssimo. Escrevo sobre ele na semana que vem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Enfim..&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;quando o meu irmão se decidir a colocar alguma coisa na página dele, provavelmente esta aqui já estará cheia de coisas atrasadas e sensentidas..&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;A idéia é tentar atualizar isso toda segunda-feira, como nos velhos tempos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Veremos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Boa sorte para nós.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Saúdes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Caetano&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-110286952323116532?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/110286952323116532/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=110286952323116532' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/110286952323116532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/110286952323116532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2004/12/avolta_12.html' title='avolta'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8563466.post-110267588387309085</id><published>2004-12-10T02:48:00.000-08:00</published><updated>2004-12-10T02:51:23.873-08:00</updated><title type='text'>avolta</title><content type='html'>estamos de volta! (eu e o meu duplo do bem). mais velhos, mais bobos, mais amargurados mais sem-graça. eis toda a propaganda que podemos fazer.&lt;br /&gt;alguém interessado...&lt;br /&gt;saúdes&lt;br /&gt;caetano&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8563466-110267588387309085?l=olapaonahileia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/feeds/110267588387309085/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8563466&amp;postID=110267588387309085' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/110267588387309085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8563466/posts/default/110267588387309085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olapaonahileia.blogspot.com/2004/12/avolta.html' title='avolta'/><author><name>caetano waldrigues galindo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
